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AgRg no AREsp 202302018103 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 2384575
- Registro
- 202302018103
- Classe
- AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- MESSOD AZULAY NETO
- Órgão julgador
- QUINTA TURMA
- Data da decisão
- 2025-08-19
- Data de publicação
- DJEN DATA:27/08/2025
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 19/08/2025
Ementa
DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUNAL DO JÚRI.
ABSOLVIÇÃO. QUESITO GENÉRICO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.
I. Caso em exame
1. Agravo regimental interposto pelo Ministério
Público contra decisão que conheceu do agravo e não conheceu do
recurso especial manejado em face de acórdão do Tribunal de Justiça
do Rio Grande do Norte, que manteve a decisão absolutória proferida
pelo Tribunal do Júri em favor do acusado, denunciado pela prática
de tentativa de homicídio qualificado (art. 121, § 2º, II e III, c/c
art. 14, II, do Código Penal).
II. Questão em discussão
2. A questão em discussão consiste em
verificar se a decisão absolutória proferida pelo Tribunal do Júri,
com base no quesito genérico de absolvição, configura decisão
manifestamente contrária à prova dos autos, nos termos do art. 593,
III, "d", do Código de Processo Penal, a ponto de justificar a sua
anulação e a realização de novo julgamento.
III. Razões de decidir
3. O princípio da soberania dos veredictos,
garantido constitucionalmente, assegura ao Tribunal do Júri ampla
liberdade para decidir, inclusive com base na íntima convicção dos
jurados, sem necessidade de fundamentação específica.
4. A anulação de julgamento proferido pelo Tribunal do Júri somente
é possível em casos excepcionais, quando a decisão dos jurados se
mostrar manifestamente contrária à prova dos autos.
5. No caso concreto, os jurados absolveram o acusado com base no
quesito genérico de absolvição, ainda que tenham reconhecido a
materialidade e autoria do delito, o que não configura contrariedade
manifesta às provas, mas exercício legítimo de sua prerrogativa
constitucional de decidir pela absolvição, especialmente porque o
Tribunal de origem asseverou que a tese de defesa do agravado foi de
ausência de "animus necandi", e não de negativa de autoria ou
materialidade, a incidir a contradição pela votação dos quesitos.
6. Na espécie, é possível observar que o Tribunal a quo manteve a
decisão do Tribunal do Júri de modo devidamente fundamentado,
demonstrando que a conclusão dos jurados encontra respaldo no acervo
fático-probatório, de modo a afastar a alegação de sentença
manifestamente contrária à prova dos autos.
7. Alterar o entendimento fixado pela Corte estadual, como pretende
o recorrente, demandaria o reexame do acervo fático-probatório,
providência vedada na via do recurso especial, conforme dispõe a
Súmula n. 7, STJ.
IV. Dispositivo e tese
7. Agravo regimental desprovido.
Tese de julgamento: "1. A decisão do Tribunal do Júri é soberana,
permitindo a absolvição por clemência ou outro motivo de foro íntimo
dos jurados, mesmo após o reconhecimento da materialidade e autoria
delitivas. 2. A anulação do julgamento não é cabível sob a alegação
de decisão manifestamente contrária à prova dos autos quando se
tratar, unicamente, de absolvição pelo quesito genérico, sem
demonstrar o equívoco. 3. O reexame do conjunto fático-probatório é
vedado em sede de recurso especial, conforme a Súmula n. 7/STJ.".
Dispositivos relevantes citados: CPP, art. 483; CPP, art. 619; CPC,
art. 489, § 1º, III, IV e V. Jurisprudência relevante citada: STJ,
AgRg no REsp n. 2.175.339/MA, rel. Min. Daniela Teixeira, Quinta
Turma, julgado em 19/02/2025; STJ, AgRg no AREsp n. 2.385.000/PE,
rel. Min. Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado do
TJSP), Sexta Turma, julgado em 10/12/2024.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.