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AgRg no REsp 202302606234 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 2087377
- Registro
- 202302606234
- Classe
- AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- MESSOD AZULAY NETO
- Órgão julgador
- QUINTA TURMA
- Data da decisão
- 2025-09-16
- Data de publicação
- DJEN DATA:23/09/2025
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 16/09/2025
Ementa
DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL.
TRÁFICO. SÚMULA 7/STJ. REEXAME DE PROVAS. AGRAVO DESPROVIDO.
I. Caso em exame
1. Agravo regimental interposto pelo Ministério
Público contra decisão que não conheceu do recurso especial, com
fundamento no art. 255, § 4º, inciso I, do RISTJ.
2. O juízo singular condenou o réu pela prática do delito previsto
no art. 33, caput, da Lei 11.343/06, à pena de cinco anos de
reclusão, em regime inicial semiaberto, mais 500 dias-multa. O
Tribunal de origem, por maioria, deu provimento ao recurso de
apelação criminal da defesa para absolver o recorrido, com base no
artigo 386, VII, do Código de Processo Penal, aplicando o princípio
do in dubio pro reo.
3. O Ministério Público, no recurso especial, sustentou violação ao
art. 33, caput, da Lei 11.343/06 e ao art. 156 do Código de Processo
Penal, além de pleitear a desclassificação para o art. 28 da Lei
11.343/06. A decisão recorrida não conheceu do recurso especial,
fundamentando-se na Súmula 7/STJ.
4. No agravo regimental, o Ministério Público reiterou os argumentos
do recurso especial, alegando que pretendia apenas a revaloração
dos fatos admitidos no acórdão, sem necessidade de reexame de
provas.
II. Questão em discussão
5. A questão em discussão consiste em saber
se a decisão que aplicou a Súmula 7/STJ, ao não conhecer do recurso
especial, deve ser reformada, considerando a alegação de que o
recurso busca apenas a revaloração de fatos admitidos no acórdão,
sem necessidade de revolvimento do conjunto fático-probatório.
III. Razões de decidir
6. O agravo regimental deve trazer novos
argumentos capazes de alterar o entendimento anteriormente firmado,
sob pena de ser mantida a decisão recorrida por seus próprios
fundamentos.
7. A decisão agravada concluiu pela fragilidade do conjunto
probatório e pela aplicação do princípio do in dubio pro reo,
conduzindo à absolvição do recorrido com base no artigo 386, VII, do
Código de Processo Penal.
8. A pretensão do agravante esbarra no óbice da Súmula 7/STJ, que
veda o reexame de provas no âmbito do recurso especial.
9. Os fundamentos da decisão agravada estão em conformidade com a
jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça, não
havendo elementos novos aptos a ensejar sua reforma.
IV. Dispositivo e tese
10. Resultado do Julgamento: Agravo regimental
desprovido.
Tese de julgamento:
1. A Súmula 7/STJ veda o reexame de provas no âmbito do recurso
especial, sendo inaplicável quando a pretensão recursal demanda
revolvimento do conjunto fático-probatório.
2. O agravo regimental deve apresentar argumentos novos e
suficientes para alterar o entendimento firmado na decisão
recorrida.
Dispositivos relevantes citados: CPP, art. 386, VII; Lei 11.343/06,
art. 33; RISTJ, art. 255, § 4º, I.
Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no AR Esp 1345004/RS,
Rel. Min. Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 12.03.2019; STJ, AgRg
no AR Esp 1604084/RN, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma,
julgado em 12.05.2020.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.