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AgRg no RHC 202502140682 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 217738
- Registro
- 202502140682
- Classe
- AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS
- Relator(a)
- ANTONIO SALDANHA PALHEIRO
- Órgão julgador
- SEXTA TURMA
- Data da decisão
- 2025-08-27
- Data de publicação
- DJEN DATA:02/09/2025
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 27/08/2025
Ementa
AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. HOMICÍDIO
QUALIFICADO E DELITOS CONEXOS. OFENSA AO PRINCÍPIO DA COLEGIALIDADE.
NÃO OCORRÊNCIA. PRISÃO PREVENTIVA. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. GRAVIDADE
CONCRETA. ORDEM PÚBLICA. CONDIÇÕES PESSOAIS FAVORÁVEIS.
IRRELEVÂNCIA, IN CASU. MEDIDAS CAUTELARES. INVIABILIDADE. LEGÍTIMA
DEFESA. INOVAÇÃO RECURSAL. RECURSO DESPROVIDO.
1. Na linha dos
precedentes desta Corte Superior, é "plenamente possível que seja
proferida decisão monocrática por Relator, sem qualquer afronta ao
princípio da colegialidade ou cerceamento de defesa, quando todas as
questões são amplamente debatidas, havendo jurisprudência dominante
sobre o tema, ainda que haja pedido de sustentação oral" (AgRg no HC
n. 764.854/MS, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma,
DJe de 21/12/2022)" (AgRg no RHC n. 179.956/MT, relator Ministro
Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 12/12/2023, DJe de
18/12/2023).
2. Insta consignar que a regra, em nosso ordenamento
jurídico, é a liberdade. Assim, a prisão de natureza cautelar
revela-se cabível tão somente quando, a par de indícios do
cometimento do delito (fumus commissi delicti), estiver
concretamente comprovada a existência do periculum libertatis, nos
termos do art. 312 do CPP.
3. No caso, a prisão foi decretada em
decorrência do modus operandi empregado na conduta delitiva, em que
o agravante, de posse de um veículo produto de roubo e com placas
adulteradas, desobedeceu às diversas ordens de paradas dos
policiais; seguiu em frente, em alta velocidade; e, ao invadir a
pista contrária, colidiu frontalmente com o veículo da vítima,
causando o acidente que culminou com a morte dela.
Tais
circunstâncias evidenciam a gravidade concreta da conduta e
demonstram, por ora, a necessidade da segregação cautelar como forma
de acautelar a ordem pública.
4. Cumpre salientar que condições
pessoais favoráveis, por si sós, não impedem a prisão cautelar, caso
se verifiquem presentes os requisitos legais para a decretação da
segregação provisória, consoante se observa na hipótese dos
autos.
5. Considerando a fundamentação acima expendida, reputo
indevida a aplicação de medidas cautelares diversas da prisão, uma
vez que se mostram insuficientes para o resguardo da ordem
pública.
6. "A questão referente à ocorrência de legítima defesa,
além de demandar o exame fático-probatório dos autos, não deve ser
conhecida pois não foi suscitada nas razões do writ,
caracterizando-se como indevida inovação recursal." (AgRg no HC n.
777.985/MG, relator Ministro Jesuíno Rissato -Desembargador
Convocado do TJDFT, Sexta Turma, julgado em 27/3/2023, DJe de
31/3/2023.)
7. Agravo regimental desprovido.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.