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AgRg no HC 202502015080 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 1008684
- Registro
- 202502015080
- Classe
- AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS
- Relator(a)
- OG FERNANDES
- Órgão julgador
- SEXTA TURMA
- Data da decisão
- 2025-08-27
- Data de publicação
- DJEN DATA:01/09/2025
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 27/08/2025
Ementa
DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS.
EXECUÇÃO PENAL. FALTA GRAVE. HOMOLOGAÇÃO POR PROCEDIMENTO
ADMINISTRATIVO REGULAR. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO PELAS INSTÂNCIAS
ORDINÁRIAS. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA DE ILEGALIDADE
MANIFESTA. RECURSO IMPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo regimental
interposto contra a decisão monocrática que não conheceu do habeas
corpus, no qual se alegava nulidade na apuração de falta grave,
ausência de provas da prática de rebeldia e possibilidade de
desclassificação da conduta para falta média. O agravante sustenta
que o habeas corpus pode ser concedido de ofício mesmo diante de
eventual supressão de instância e requer o provimento do recurso
para que a ordem seja concedida.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
2. Há duas
questões em discussão: (i) definir se é cabível o conhecimento de
habeas corpus cujo fundamento não foi apreciado pelas instâncias
ordinárias; e (ii) estabelecer se há ilegalidade manifesta na
homologação da falta grave que justifique a concessão da ordem de
ofício.
III. RAZÕES DE DECIDIR
3. A matéria suscitada na impetração
não foi examinada pelo Tribunal de origem, o que impede sua
apreciação por esta Corte Superior, sob pena de indevida supressão
de instância, em conformidade com jurisprudência consolidada do
STJ.
4. A concessão da ordem de ofício pressupõe a existência de
manifesta ilegalidade ou teratologia, o que não se verifica no caso
concreto.
5. O Procedimento Administrativo Disciplinar foi
regularmente instruído e contou com a participação de defensor da
FUNAP.
6. A jurisprudência entende que a ausência de oitiva judicial
não configura nulidade se assegurados o contraditório e a ampla
defesa no âmbito administrativo, tampouco há necessidade de
audiência de justificação na ausência de regressão de regime.
7. A
análise sobre eventual desclassificação da falta para infração de
menor gravidade demandaria revolvimento fático-probatório,
providência vedada na via estreita do habeas corpus.
IV. DISPOSITIVO
E TESE
8. Agravo regimental improvido.
Tese de julgamento:
1. O
habeas corpus não pode ser conhecido quando a matéria impugnada não
foi previamente analisada pelas instâncias ordinárias, sob pena de
supressão de instância.
2. A homologação de falta grave baseada em
procedimento administrativo regular não configura ilegalidade
manifesta, ainda que ausente oitiva judicial do apenado.
3. A
reavaliação da natureza da infração disciplinar demanda revolvimento
fático-probatório, o que é incompatível com a via do habeas
corpus.
Dispositivos relevantes citados: CF/1988, art. 5º, LXVIII;
LEP, arts. 39, II e V; 50, I e VI; 118; CPP, arts. 564 e
565.
Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg nos EDcl no HC n.
805.331/SP, rel. Min. Ribeiro Dantas, DJe 23.08.2024; STJ, AgRg nos
EDcl no HC n. 906.517/SP, rel. Min. Otávio de Almeida Toledo, DJe
23.08.2024; STJ, AgRg no HC n. 778.350/SP, rel. Min. Jesuíno
Rissato, DJe 10.03.2023; STJ, AgRg no HC n. 702.624/SP, rel. Min.
Antonio Saldanha Palheiro, DJe 07.10.2022; STJ, HC n. 320.865/SP,
rel.ª Min. Maria Thereza de Assis Moura, DJe 02.06.2015; STJ, AgRg
no HC n. 908.631/SP, rel. Min. Otávio de Almeida Toledo, DJe
06.11.2024.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.