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AgRg no REsp 202203414473 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 2035417
- Registro
- 202203414473
- Classe
- AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- CARLOS CINI MARCHIONATTI (DESEMBARGADOR CONVOCADO TJRS)
- Órgão julgador
- QUINTA TURMA
- Data da decisão
- 2025-08-27
- Data de publicação
- DJEN DATA:02/09/2025
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 27/08/2025
Ementa
DIREITO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ESTELIONATO.
REPRESENTAÇÃO DA VÍTIMA COMO CONDIÇÃO DE PROCEDIBILIDADE. APLICAÇÃO
RETROATIVA MESMO EM CASOS DE DENÚNCIAS OFERECIDAS E RECEBIDAS ANTES
DA VIGÊNCIA DA LEI 13.964/2019. PRECEDENTE QUALIFICADO DO STF.
MANIFESTA INTENÇÃO DA VÍTIMA EM VER OS AGENTES PROCESSADOS.
DOSIMETRIA DA PENA. INEXISTÊNCIA DE ILEGALIDADE. REGIME FECHADO
DEVIDAMENTE FUNDAMENTADO NAS CIRCUNSTÂNCIAS DO CASO CONCRETO.
DECISÃO AGRAVADA MANTIDA. DESPROVIMENTO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo
regimental interposto contra decisão que conheceu em parte e, nessa
extensão, negou provimento ao recurso especial, mantendo a
condenação por estelionato e a dosimetria da pena aplicada e o
regime fechado.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
2. A questão em discussão
consiste em saber se a retroatividade da Lei n. 13.964/2019, que
alterou a natureza da ação penal para estelionato, alcança processos
com denúncia já oferecida antes de sua vigência.
3. Outra questão em
discussão é a adequação da dosimetria da pena, considerando a
valoração das circunstâncias judiciais e a possibilidade de
substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de
direitos.
III. RAZÕES DE DECIDIR
4. A retroatividade da Lei n.
13.964/2019 se aplica a processos com denúncia já oferecida,
conforme entendimento do STF no AgRg no HC n. 208.817, por meio do
seu Tribunal Pleno, desde que haja dúvida na intenção da vítima em
ver os agentes processados, o que não é o caso dos autos.
5. A
dosimetria da pena foi fundamentada adequadamente, considerando o
prejuízo causado e os maus antecedentes do réu, não havendo
ilegalidade na fixação da pena-base acima do mínimo legal, elementos
que também legitimam o regime mais gravoso.
6. A substituição da
pena privativa de liberdade por restritiva de direitos não é
recomendável, dada a reiteração delitiva e a ausência de
demonstração de que a medida seria suficiente.
IV. AGRAVO REGIMENTAL
DESPROVIDO.
Tese de julgamento: "1. A retroatividade da Lei n.
13.964/2019 se aplica a processos com denúncia já oferecida antes de
sua vigência, conforme precedente do Pleno do STF. 2. A dosimetria
da pena pode considerar circunstâncias judiciais desfavoráveis, como
o prejuízo causado e os maus antecedentes, sem necessidade de
critério matemático rígido, o que legitima o regime fechado . 3. A
substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de
direitos depende da demonstração de que a medida é socialmente
recomendável e suficiente para a reprovação e prevenção do
crime.".
Dispositivos relevantes citados: CP, art. 44, III; CP, art.
59; CP, art. 171, §5º; CPP, art. 38.
Jurisprudência relevante
citada: STF, HC 208.817 AgRg, Rel. Min. Cármen Lúcia, Tribunal
Pleno, julgado em 13/4/2023, DJe 2/5/2023; STJ, AgRg no HC
846.046/PE, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em
30/10/2023, DJe de 3/11/2023.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.