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REsp 202404652915 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 2200169
- Registro
- 202404652915
- Classe
- RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- SEBASTIÃO REIS JÚNIOR
- Órgão julgador
- SEXTA TURMA
- Data da decisão
- 2025-09-16
- Data de publicação
- DJEN DATA:24/09/2025
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 16/09/2025
Ementa
DIREITO PROCESSUA L PENAL. RECURSO ESPECIAL. REVISÃO CRIMINAL.
CONDENAÇÃO BASEADA EM PROVA ILÍCITA. EXTENSÃO DOS EFEITOS DA
DECISÃO. RECURSO IMPROVIDO. I. Caso em exame
1. Recurso especial
interposto pelo Ministério Público do Paraná contra acórdão do
Tribunal de Justiça que acolheu revisão criminal para rescindir
condenação de Davi dos Santos Soares e Osvaldo Marcineiro,
absolvendo-os com fundamento no art. 386, V, do Código de Processo
Penal, com extensão dos efeitos à corré Beatriz Cordeiro Abagge e
aos sucessores de Vicente da Paula Ferreira.
II. Questão em discussão
2. O objeto do recurso especial consiste em
definir: 1) se a revisão criminal foi ajuizada com base em prova
nova que exigisse prévia justificação criminal; 2) se há ilegalidade
no acolhimento do pleito revisional; e 3) se era possível a
extensão dos efeitos do acórdão revisional com relação à corré
Beatriz, considerando que o pleito revisional por ela ajuizado não
foi conhecido.
III. Razões de decidir
3. Não há falar em prova nova se os elementos
que fundaram a ação revisional foram extraídos da gravação original
de confissão, juntada aos autos do inquérito policial pelo próprio
Ministério Público, de modo que se o Tribunal a quo se convenceu da
autenticidade desses elementos, enquanto suprimidos da versão
apresentada pelo órgão ministerial, é possível conhecer da ação
revisional, sendo desnecessária prévia justificação criminal.
4. A exclusão das confissões ilícitas acarretou a absoluta ausência
de provas para a condenação, tornando viável o acolhimento do pleito
revisional.
5. A inadmissão da revisão criminal ajuizada em favor de Beatriz
consubstanciou mera coisa julgada formal, permitindo a extensão dos
efeitos do acórdão revisional em favor dela.
IV. Dispositivo e tese
6. Recurso improvido.
Teses de julgamento: 1. Não há falar em prova nova e, por
conseguinte, na exigência de prévia justificação criminal para fins
de admissão da ação revisional, se o elemento probatório que fundou
essa ação foi extraído de gravação de confissão, juntada aos autos
do inquérito pelo próprio órgão acusatório, tendo a Corte de origem
concluído no sentido de sua autenticidade. 2. O veredicto
condenatório do Tribunal do Júri pode ser rescindindo se a exclusão
das provas ilícita e das derivadas acarretar, ao fim e ao cabo, a
absoluta ausência de provas para a condenação. 3. É possível
estender os efeitos do acórdão revisional em favor da corré cuja
revisão criminal não foi conhecida, pois verificada mera coisa
julgada formal.
Dispositivos relevantes citados:CPP, art. 386, V; CPP, art. 621, I;
CPP, art. 157, § 1º; CPP, art. 580
Jurisprudência relevante citada:STJ, REsp 1.686.720/SP, Min.
Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 23/8/2018, DJe
4/9/2018; STJ, AgRg no REsp 2.004.958/RJ, Min. Joel Ilan Paciornik,
Quinta Turma, julgado em 26/6/2023, DJe 29/6/2023.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.