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REsp 202300739552 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 2056959
- Registro
- 202300739552
- Classe
- RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- MOURA RIBEIRO
- Órgão julgador
- TERCEIRA TURMA
- Data da decisão
- 2025-09-15
- Data de publicação
- DJEN DATA:18/09/2025
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 15/09/2025
Ementa
EMPRESARIAL E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE
RECUPERAÇÃO JUDICIAL (1) CONCORDATA SEGUIDA DE FALÊNCIA. ADOÇÃO DE
REGIME DE CONTINUIDADE DOS NEGÓCIOS. CELEBRAÇÃO DE CONTRATO
POSTERIORMENTE DESCUMPRIDO. PEDIDO DE RECUPERAÇÃO FORMULADO SOB A
ÉGIDE DA LEI N. 11.101/2005. DANO OCORRIDO ANTERIORMENTE AO
REQUERIMENTO. SUJEIÇÃO DA OBRIGAÇÃO À DISCIPLINA DO CITADO
REGRAMENTO E SEUS EFEITOS. PRECEDENTES. COMPETÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO
DA NATUREZA CONCURSAL DO CRÉDITO. INCUMBÊNCIA DO JUÍZO UNIVERSAL
PARA APRECIAR ATOS CONSTRITIVOS SOBRE O PATRIMÔNIO DA SOCIEDADE EM
CRISE. JULGADOS. (2) LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ. CARACTERIZAÇÃO. REFORMA.
NECESSIDADE DE REEXAME DO CONJUNTO PROBATÓRIO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA
N. 7 DO STJ. (3) HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS SUCUMBENCIAIS.
RECONHECIMENTO DA INCOMPETÊNCIA DO JUÍZO DA AÇÃO INDIVIDUAL EM FAVOR
DO RECUPERACIONAL. AUSÊNCIA DE EXTINÇÃO DO PROCESSO. VERBA DE
SUCUMBÊNCIA. NÃO CABIMENTO. RECURSO ESPECIAL PROVIDO EM PARTE.
1.
Trata-se de recurso especial interposto por credora de empresa em
crise econômica que, após ter sido beneficiada por concordata e
falência da requerida, celebrou contrato em regime de continuidade
dos negócios (art. 74 da Lei n. 7.661/1945), vindo a ajuizar ação de
cobrança após o inadimplemento. A devedora formulou novo pedido de
soerguimento sob a égide da Lei n. 11.101/2005, ao qual a credora
aderiu, com novação do crédito e recebimento mediante debêntures.
2.
O objetivo recursal é definir se (i) o crédito originado do contrato
celebrado durante regime de continuidade dos negócios, mas antes do
novo pedido de recuperação judicial (Lei n. 11.101/2005), se submete
ao plano aprovado, a despeito de reconhecido por sentença
condenatória posterior; (ii) houve má-fé da credora ao omitir
informações relevantes e distorcer o conteúdo do Tema n. 1.051 do
STJ; (iii) é cabível a fixação de honorários advocatícios
sucumbenciais quando o processo não foi extinto.
3. O crédito
decorrente do inadimplemento de obrigações durante o regime de
continuidade dos negócios previsto no art. 74 do Decreto-lei n.
7.661/1945, cujo fato gerador é anterior ao pedido de recuperação
judicial formulado sob a égide da Lei n. 11.101/2005, submete-se aos
seus efeitos, competindo ao juízo universal - até o trânsito da
sentença de encerramento da recuperação judicial - a apreciação de
atos constritivos sobre o patrimônio da sociedade empresária em
crise
4. A multa por litigância de má-fé foi cominada a partir de
omissões em ação executiva de que (i) o crédito subjacente havia
sido incluído no quadro-geral de credores; (ii) a titular anuiu com
as disposições do plano recuperacional e (iii) recebeu o pagamento
por meio de debêntures, além de (iv) reprodução modificada do teor
de tema decidido por esta Corte Superior (Tema n. 1.051). O
revolvimento da conclusão alcançada pelo Tribunal bandeirante a
partir do acervo fático-probatório carreado aos autos constitui
óbice por força da Súmula n. 7 desta Corte Superior.
5. Reconhecida
a competência do juízo da recuperação judicial instaurada sob a Lei
n. 11.101/2005, com origem em crise iniciada no regime de
continuidade dos negócios do Decreto-lei n. 7.661/1945, a remessa
dos autos não implica extinção do processo nem imediata redução do
montante exequendo, razão pela qual é prematura a fixação de
honorários sucumbenciais, nos moldes de recentes precedentes do
STJ
6. Recurso especial provido em parte.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.