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REsp 201700041350 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 1647368
- Registro
- 201700041350
- Classe
- RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- MARCO AURÉLIO BELLIZZE
- Órgão julgador
- SEGUNDA TURMA
- Data da decisão
- 2025-10-07
- Data de publicação
- DJEN DATA:16/10/2025
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 07/10/2025
Ementa
TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL.
LEGITIMIDADE PASSIVA DE CONSÓRCIO DE EMPRESAS. LEI 12.402/2011.
CONTRATAÇÃO DE PESSOAL EM NOME PRÓPRIO. RESPONSABILIDADE PELAS
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. LEGITIMIDADE CARACTERIZADA. RECURSO
CONHECIDO E PROVIDO.
I. CASO EM EXAME
:
1. Recurso especial interposto pela Fazenda Nacional contra acórdão
do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, que reconheceu a
ilegitimidade passiva de consórcio de empresas em execução fiscal,
devido à ausência de personalidade jurídica.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
2. A questão em discussão consiste em saber se o consórcio de
empresas, constituído nos termos da Lei n. 6.404/1976, possui
legitimidade para integrar o polo passivo da execução fiscal, mesmo
sem personalidade jurídica.
III. RAZÕES DE DECIDIR
3. O consórcio de empresas constituído de acordo com a Lei n.
6.404/1976, embora não detenha personalidade jurídica, possui
personalidade judiciária, afigurando-se parte legítima para integrar
o polo passivo de execução fiscal, consoante se depreende dos arts.
126, III, do CTN; 75, IX, do CPC/2015; e 4º, III e IV, da Lei n.
6.830/1980. Precedentes.
4. Tal acepção é corroborada pelo art. 1º, § 1º, da Lei n.
12.402/2011, segundo o qual "o consórcio que realizar a contratação,
em nome próprio, de pessoas jurídicas e físicas, com ou sem vínculo
empregatício, poderá efetuar a retenção de tributos e o cumprimento
das respectivas obrigações acessórias, ficando as empresas
consorciadas solidariamente responsáveis" (§ 1º).
5. Na hipótese em julgamento, tratando-se de execução fiscal de
contribuições previdenciárias decorrentes da contratação de pessoal
pelo consórcio, em nome próprio, de rigor é a reforma do acórdão
recorrido, a fim de se reconhecer a legitimidade passiva do
consórcio recorrente para integrar a execução fiscal.
IV. DISPOSITIVO E TESE
6. Recurso especial conhecido e provido.
Teses de julgamento: "1. O consórcio de empresas, embora desprovido
de personalidade jurídica, possui personalidade judiciária, podendo
ser parte legítima para integrar o polo passivo de execução fiscal.
2. O art. 1º, § 1º, da Lei n. 12.402/2011 corrobora essa acepção, ao
assentar que o consórcio que contratar, em nome próprio, pessoas
físicas ou jurídicas poderá responder pela retenção e recolhimento
dos respectivos tributos e o cumprimento das respectivas obrigações
acessórias, ficando as empresas consorciadas solidariamente
responsáveis".
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Dispositivos relevantes citados: CTN, art. 126, III; Lei n.
6.830/1980, art. 4º, III e IV; Lei n. 12.402/2011, art. 1º, §1º.
Jurisprudência relevante citada: STJ, AREsp 2.883.282/RJ, Rel.
Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 09/06/2025; STJ,
AgInt no AREsp 2.678.194/SP, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira
Turma, julgado em 24/03/2025; STJ, AgRg no AREsp 703.654/MS, Rel.
Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 01/09/2015.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.