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AgRg no HC 202503040947 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 1026822
- Registro
- 202503040947
- Classe
- AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS
- Relator(a)
- RIBEIRO DANTAS
- Órgão julgador
- QUINTA TURMA
- Data da decisão
- 2025-10-15
- Data de publicação
- DJEN DATA:22/10/2025
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 15/10/2025
Ementa
EXECUÇÃO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. POSSE DE DROGAS
EM ESTABELECIMENTO PRISIONAL. CONFIGURAÇÃO DE FALTA GRAVE. RECURSO
IMPROVIDO. I. Caso em exame
1. Agravo regimental interposto contra
decisão que não conheceu de habeas corpus, mantendo o reconhecimento
de falta disciplinar de natureza grave.
2. O agravante foi surpreendido com maconha em unidade prisional,
conforme laudo de exame químico-toxicológico, sendo a falta grave
homologada com base em provas documentais e testemunhais.
II. Questão em discussão
3. A questão em discussão consiste em saber
se a posse de pequena quantidade de droga para uso pessoal em
estabelecimento prisional configura falta grave, considerando o
entendimento do STF no Tema n. 506 e a alegação de
desproporcionalidade da sanção imposta.
III. Razões de decidir
4. A posse de substância entorpecente, ainda
que para consumo próprio, no interior de estabelecimento prisional,
configura falta grave, nos termos do art. 50, VI, c.c. o art. 39, V,
da Lei de Execução Penal, por comprometer a disciplina interna e
influenciar negativamente outros presidiários.
5. O entendimento do STF no Tema n. 506, que despenalizou o porte de
até 40g de maconha para consumo pessoal, não afasta a
caracterização de falta disciplinar grave, que não se confunde com a
tipicidade penal da conduta.
6. A revisão das conclusões das instâncias ordinárias, a fim de se
concluir pela não ocorrência da falta grave, ou pela sua
desclassificação para outra de natureza mais branda, demandaria
reexame de fatos e provas, procedimento inviável na via do habeas
corpus.
IV. Dispositivo e tese
7. Agravo regimental improvido.
Tese de julgamento:
1. A posse de drogas em estabelecimento prisional, ainda que para
consumo próprio, configura falta grave, nos termos da Lei de
Execução Penal.
2. O entendimento do STF no Tema n. 506 não afasta a caracterização
de falta disciplinar grave em execução penal.
3. A revisão de decisões que homologam falta grave exige reexame de
fatos e provas, inviável na via do habeas corpus.
Dispositivos relevantes citados: LEP, art. 50, VI; LEP, art. 39, V.
Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no HC n. 993.346/SP, Rel.
Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJEN de 30/4/2025;
STJ, AgRg no HC n. 986.224/SP, Rel. Min. Messod Azulay Neto, Quinta
Turma, DJEN de 28/4/2025; STJ, AgRg no HC n. 944.520/SP, Rel. Min.
Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJEN de 23/12/2024; STJ, AgRg no HC
n. 923.475/SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de
6/9/2024; STJ, AgRg no HC n. 939.825/SP, Rel. Min. Messod Azulay
Neto, Quinta Turma, DJEN de 29/11/2024; STJ, AgRg no RHC n.
199.698/PR, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de
5/9/2024.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.