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AgRg no AREsp 202501373193 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 2925205
- Registro
- 202501373193
- Classe
- AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- JOEL ILAN PACIORNIK
- Órgão julgador
- QUINTA TURMA
- Data da decisão
- 2025-10-16
- Data de publicação
- DJEN DATA:22/10/2025
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 16/10/2025
Ementa
DIREITO PENAL TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. PRINCÍPIO DA
INSIGNIFICÂNCIA. CRIMES TRIBUTÁRIOS ESTADUAIS. LIMITES OBJETIVOS.
AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. I. Caso em exame
1. Agravo regimental
interposto pelo Ministério Público do Estado do Ceará contra decisão
monocrática que conheceu do agravo para conhecer em parte do
recurso especial e, com fundamento na Súmula n. 568 do STJ,
negou-lhe provimento.
2. O agravante sustenta erro na aplicação do princípio da
insignificância, alegando que o valor sonegado - R$ 30.213,61
(trinta mil e duzentos e treze reais e sessenta e um centavos) -
ultrapassa o limite de R$ 30.000,00 (trinta mil reais) estabelecido
pela Portaria PGE 140/2023 e pela Lei Estadual n. 18.439/2023 para
dispensa de cobrança judicial de ICMS. Argumenta que o valor
consolidado da dívida tributária - R$ 83.531,74 (oitenta e três mil
e quinhentos e trinta e um reais e setenta e quatro centavos) - está
abaixo do teto de 60 salários mínimos - R$ 84.720,00 (oitenta e
quatro mil e setecentos e vinte reais) -, mas que o parâmetro
correto para ICMS seria o limite de R$ 30.000,00 (trinta mil reais).
II. Questão em discussão
3. A questão em discussão consiste em saber
se o princípio da insignificância pode ser aplicado ao caso,
considerando os limites objetivos estabelecidos pela legislação
estadual vigente à época dos fatos.
III. Razões de decidir
4. O Tribunal de Justiça do Estado do Ceará
manteve a absolvição dos agravados com base no princípio da
insignificância, considerando que o valor consolidado da dívida
tributária - R$ 83.531,74 (oitenta e três mil e quinhentos e trinta
e um reais e setenta e quatro centavos) - estava abaixo do limite de
60 salários mínimos - R$ 84.720,00 (oitenta e quatro mil e
setecentos e vinte reais) -, conforme previsto na Lei Estadual n.
16.381/17.
5. Este Superior Tribunal de Justiça corrobora o entendimento do
Tribunal a quo, afirmando que a decisão está em consonância com a
jurisprudência da Corte, que exige a observância da legislação local
para aplicação do princípio da insignificância em crimes
tributários estaduais.
6. A consideração da Lei Estadual n. 18.439/2023 e da Portaria
PGE/CE n. 140/2023 como parâmetro para incidência do princípio da
insignificância carece do indispensável prequestionamento.
IV. Dispositivo e tese
7. Resultado do Julgamento: Agravo regimental
não provido.
Tese de julgamento:
1. O princípio da insignificância pode ser aplicado em crimes
tributários estaduais quando o valor consolidado da dívida
tributária estiver abaixo do limite objetivo estabelecido pela
legislação local vigente à época dos fatos.
2. A ausência de prequestionamento sobre alterações legislativas
posteriores impede a análise do recurso especial quanto a esses
pontos.
Dispositivos relevantes citados: Lei Estadual n. 16.381/17, art. 2º;
Súmula Vinculante 24; Súmula 83 do STJ.
Jurisprudência relevante citada: STJ, Súmula 83; STF, Súmula
Vinculante 24.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.