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AgRg no RHC 202503188228 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 221952
- Registro
- 202503188228
- Classe
- AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS
- Relator(a)
- MESSOD AZULAY NETO
- Órgão julgador
- QUINTA TURMA
- Data da decisão
- 2025-10-15
- Data de publicação
- DJEN DATA:22/10/2025
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 15/10/2025
Ementa
DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ORDINÁRIO EM
HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. PRISÃO PREVENTIVA. AUSÊNCIA DE
FUNDAMENTAÇÃO. POSSIBILIDADE DE SUBSTITUIÇÃO DA PRISÃO POR MEDIDAS
CAUTELARES DIVERSAS. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. I. Caso em
exame1. Agravo regimental interposto pelo Ministério Público Federal
contra decisão que deu parcial provimento ao recurso ordinário para
substituir a prisão preventiva do agravado por medidas cautelares
alternativas à prisão.
2. Nas razões do inconformismo, o agravante sustenta que a
necessidade de prisão cautelar do agravado está devidamente
justificada, requerendo a reconsideração da decisão ou sua submissão
ao órgão colegiado.
II. Questão em discussão
3. A questão em discussão consiste em saber
se a substituição da prisão preventiva por medidas cautelares
alternativas é adequada, considerando a ausência de elementos
concretos que demonstrem a indispensabilidade da custódia cautelar.
III. Razões de decidir
4. A prisão preventiva, por seu caráter
excepcional, deve ser fundamentada em elementos concretos que
demonstrem o fumus commissi delicti e o periculum libertatis,
conforme o art. 312 do Código de Processo Penal.
5. A decisão agravada considerou que, embora a quantidade de drogas
apreendidas não seja inexpressiva, não há elementos concretos que
evidenciem a gravidade da conduta ou o risco de reiteração
criminosa, sendo possível a substituição da prisão por medidas
cautelares alternativas.
6. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é firme no
sentido de que a prisão preventiva somente se justifica na
impossibilidade de alcançar idêntico resultado acautelatório por
meio de medidas menos gravosas, conforme os princípios da
excepcionalidade e proporcionalidade previstos no Código de Processo
Penal.
7. A manutenção da prisão preventiva, na ausência de requisitos
concretos, configuraria antecipação de pena, violando o princípio da
presunção de inocência.
IV. Dispositivo e tese
8. Resultado do Julgamento: Agravo regimental
não provido.
Tese de julgamento:
1. A prisão preventiva deve ser fundamentada em elementos concretos
que demonstrem sua indispensabilidade, sendo possível sua
substituição por medidas cautelares alternativas na ausência de tais
elementos.
2. A manutenção da prisão preventiva sem requisitos concretos
configura antecipação de pena e viola o princípio da presunção de
inocência.
Dispositivos relevantes citados: Código de Processo Penal, arts.
282, 312, 313 e 319.
Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no HC 653.443/PE, Rel.
Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em
13.04.2021; STJ, AgRg no HC 803.633/SP, Rel. Min. Laurita Vaz, Sexta
Turma, julgado em 21.03.2023.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.