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AgRg no HC 202502463149 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 1017008
- Registro
- 202502463149
- Classe
- AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS
- Relator(a)
- CARLOS PIRES BRANDÃO
- Órgão julgador
- SEXTA TURMA
- Data da decisão
- 2025-10-22
- Data de publicação
- DJEN DATA:30/10/2025
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 22/10/2025
Ementa
DIREITO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE
DROGAS. DESCLASSIFICAÇÃO PARA USO DE ENTORPECENTES. REVOLVIMENTO
FÁTICO-PROBATÓRIO. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. I. Caso em exame
1.
Agravo regimental interposto contra decisão que não conheceu de
habeas corpus impetrado para desclassificar a conduta de tráfico de
drogas (art. 33, caput, da Lei nº 11.343/2006) para uso de
entorpecentes (art. 28 da mesma lei).
2. Fato relevante. O agravante foi preso em flagrante com 90
invólucros de "crack", totalizando 12 gramas, além de R$ 75,00 em
espécie. O Tribunal de origem concluiu pela subsunção da conduta ao
delito de tráfico de drogas, considerando a quantidade e natureza da
substância, as circunstâncias da apreensão e a ausência de
elementos que caracterizassem o uso pessoal.
3. Decisões anteriores. O habeas corpus foi denegado pelo Tribunal
de origem, e a decisão de não conhecimento foi mantida, sob o
fundamento de que a desclassificação demandaria revolvimento
fático-probatório, inviável na via eleita.
II. Questão em discussão
4. A questão em discussão consiste em saber
se é possível desclassificar a conduta de tráfico de drogas para uso
de entorpecentes, considerando as circunstâncias fáticas e
probatórias estabelecidas pelas instâncias ordinárias.
III. Razões de decidir
5. O habeas corpus não é a via adequada para o
revolvimento do conjunto fático-probatório, sendo inviável a
desclassificação da conduta com base em elementos que demandem nova
análise das provas.
6. A subsunção típica do crime de tráfico de drogas prescinde da
efetiva prática de atos de mercancia, consumando-se com qualquer dos
verbos nucleares descritos no art. 33 da Lei nº 11.343/2006.
7. As instâncias ordinárias fundamentaram adequadamente a
condenação, destacando a quantidade e natureza da droga, as
circunstâncias da apreensão e a ausência de elementos que
caracterizassem o uso pessoal.
IV. Dispositivo e tese
8. Resultado do Julgamento: Agravo regimental
não provido.
Tese de julgamento:
1. O habeas corpus não se presta ao revolvimento do conjunto
fático-probatório para desclassificação de condutas imputadas.
2. O crime de tráfico de drogas é de ação múltipla e se consuma com
a prática de qualquer dos verbos nucleares descritos no art. 33 da
Lei nº 11.343/2006.
Dispositivos relevantes citados: Lei nº 11.343/2006, arts. 28 e 33;
CPP, art. 619.
Jurisprudência relevante citada: STF, AgRg no HC 180.365, Rel. Min.
Rosa Weber, Primeira Turma, julgado em 27.03.2020; STJ, AgRg no
AREsp 1.803.460/ES, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, Sexta
Turma, julgado em 13.09.2022; STJ, AgRg no HC 773.880/SP, Rel. Min.
Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 13.12.2022.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.