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AgRg no REsp 202101791118 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 1943070
- Registro
- 202101791118
- Classe
- AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- MESSOD AZULAY NETO
- Órgão julgador
- QUINTA TURMA
- Data da decisão
- 2025-09-09
- Data de publicação
- DJEN DATA:16/09/2025
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 09/09/2025
Ementa
DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. REVISÃO CRIMINAL.
DESCLASSIFICAÇÃO DE CONDUTA. PREVISÃO LEGAL. ART. 626 DO CPP. AGRAVO
NÃO PROVIDO.
I. Caso em exame
1. Agravo regimental interposto contra decisão que
conheceu e deu provimento ao recurso especial do Ministério Público
Federal, reformando decisão de segunda revisão criminal que havia
absolvido o requerente do crime de receptação, alegando ofensa ao
contraditório e ampla defesa.
II. Questão em discussão
2. A questão em discussão consiste em saber
se a decisão que desclassificou a conduta de lavagem de dinheiro
para receptação na primeira revisão criminal violou ou não
dispositivo legal, e se a segunda revisão criminal poderia absolver
o requerente com base na alegação de violação ao contraditório e
ampla defesa.
III. Razões de decidir
3. A revisão criminal não se presta à
reapreciação de fatos e provas, sendo cabível apenas nas hipóteses
previstas no art. 621 do CPP, o que não se verifica no caso.
4. A primeira decisão revisional desclassificou a conduta
originariamente imputada ao ora recorrido, valendo-se do dispositivo
legal que prevê a possibilidade de exercício do seu juízo
rescisório - art. 626, caput e parágrafo único do CPP - sem lhe
causar prejuízo quanto à pena fixada, ao final, ao contrário, a pena
aplicada foi drasticamente reduzida.
5. Ausente qualquer ilegalidade na desclassificação da conduta
operada na primeira revisão criminal. Ao contrário, ao dar como
ilegal a desclassificação, o Tribunal de origem acabou negando
vigência ao artigo 626, do Código de Processo Penal, ao julgar
procedente a segunda revisão criminal.
IV. Dispositivo e tese
6. Agravo não provido.
Tese de julgamento: "1. A revisão criminal não pode ser utilizada
como sucedâneo recursal para reapreciação de fatos e provas. 2. A
desclassificação de conduta na revisão criminal é permitida pelo
art. 626 do CPP, desde que não agrave a pena imposta. 3. A
reiteração de pedido de revisão criminal sem novos elementos
probatórios é vedada pelo art. 622, parágrafo único, do CPP".
Dispositivos relevantes citados: CPP, arts. 621, 622 e 626.
Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no AREsp 2350524, Rel.
Min. Rogério Schietti Cruz, Sexta Turma, j. 14.05.2024; STJ, AgRg na
RvCr 5894, Relª. Minª. Laurita Vaz, Terceira Seção, j. 27.09.2023;
STJ, AgRg na RvCr 4101, Rel. Min. Felix Fischer, Terceira Seção, j.
27.06.2018.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.