← Jurioteca
AREsp 202404304930 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 2806794
- Registro
- 202404304930
- Classe
- AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- MOURA RIBEIRO
- Órgão julgador
- TERCEIRA TURMA
- Data da decisão
- 2025-09-29
- Data de publicação
- DJEN DATA:02/10/2025
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 29/09/2025
Ementa
AGRAVOS EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE REPARAÇÃO DE DANOS. VÍCIO
OCULTO EM VEÍCULO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSOS DE AMBAS AS
PARTES.
PRIMEIRO RECURSO: FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. AUSÊNCIA
DE IMPUGNAÇÃO. SÚMULA N. 182 DO STJ. AGRAVO CONHECIDO E
REJEITADO.
SEGUNDO RECURSO: NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO
OCORRÊNCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. ÔNUS DA PROVA.
SÚMULA 7/STJ. AGRAVO CONHECIDO PARA CONHECER PARCIALMENTE DO RECURSO
ESPECIAL E, NESSA EXTENSÃO, NEGAR-LHE PROVIMENTO.
1. O agravo em
recurso especial que não impugna, de forma específica e
pormenorizada, todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o
recurso especial na origem, atrai a incidência da Súmula 182 do STJ,
por violação ao princípio da dialeticidade recursal.
2. A análise
das teses relativas à decadência, à configuração e ao valor do dano
moral, e à distribuição dos ônus de sucumbência demanda o reexame do
conjunto fático-probatório dos autos, o que é vedado em sede de
recurso especial, nos termos da Súmula n. 7 do Superior Tribunal de
Justiça.
3. A jurisprudência desta Corte admite, em caráter
excepcional, a juntada de documentos em momento posterior à petição
inicial e à contestação, desde que não se trate de documento
indispensável à propositura da ação, inexistente a má-fé e observado
o princípio do contraditório, como ocorreu no caso dos autos.
4. O
juiz é o destinatário da prova, cabendo-lhe indeferir as diligências
que reputar inúteis ou protelatórias. Aferir a ocorrência de
cerceamento de defesa pelo indeferimento de produção probatória
requer, como regra, o reexame de fatos e provas, o que atrai a
incidência da Súmula n. 7 do STJ.
5. Nas relações de consumo, a
comprovação de vício oculto que se manifesta logo após a aquisição
de bem durável, alienado por fornecedor profissional, gera a
presunção de preexistência do defeito, incumbindo ao fornecedor o
ônus da prova de fato que exclua sua responsabilidade. A correta
aplicação das regras de distribuição do ônus probatório, em
conformidade com o sistema de proteção ao consumidor, não configura
violação do art. 373, I, do CPC.
6. Primeiro agravo conhecido e
rejeitado. Segundo agravo conhecido para conhecer parcialmente do
recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.