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AREsp 202401276000 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 2604900
- Registro
- 202401276000
- Classe
- AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- MOURA RIBEIRO
- Órgão julgador
- TERCEIRA TURMA
- Data da decisão
- 2025-10-13
- Data de publicação
- DJEN DATA:16/10/2025
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 13/10/2025
Ementa
PROCESSUAL CIVIL E AGRÁRIO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO
DECLARATÓRIA DE PREEMPÇÃO CUMULADA COM PEDIDO DE ADJUDICAÇÃO E
RECONHECIMENTO DE INEFICÁCIA DE NEGÓCIO JURÍDICO. VIOLAÇÃO DO ART.
92 DO ESTATUTO DA TERRA E AO ART. 48 DO DECRETO-LEI 59.566/1966.
INOCORRÊNCIA. PRESUNÇÃO RELATIVA DE VERACIDADE DA ESCRITURA PÚBLICA.
ART. 215 DO CÓDIGO CIVIL. PROVA EM CONTRÁRIO. SÚMULA 7/STJ.
DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO DEMONSTRADA. SÚMULA 83/STJ.
INSEGURANÇA JURÍDICA E SONEGAÇÃO FISCAL. AUSÊNCIA DE
PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. AGRAVO CONHECIDO. RECURSO
ESPECIAL NÃO CONHECIDO.
1. Trata-se de agravo em recurso especial
interposto contra decisão que inadmitiu recurso especial manejado
com fundamento no art. 105, III, alíneas a e c, da Constituição
Federal, em ação declaratória de preempção cumulada com pedido de
adjudicação e reconhecimento de ineficácia de negócio jurídico,
ajuizada por arrendatário de imóvel rural que alegou preterição de
seu direito de preferência.
2. O objetivo recursal é decidir se (i)
o valor declarado na escritura pública deve prevalecer para fins de
adjudicação, em respeito à presunção de veracidade do documento
público; (ii) a decisão recorrida violou dispositivos legais e
jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça; (iii) a
desconsideração do valor declarado na escritura pública fomenta a
insegurança jurídica e a sonegação fiscal.
3. A presunção de
veracidade da escritura pública, prevista no art. 215 do Código
Civil, é relativa (juris tantum), podendo ser elidida por prova em
contrário. No caso, o Tribunal de origem, com base em robusto
conjunto probatório, concluiu que o valor declarado na escritura
pública não refletia o montante efetivamente ajustado entre as
partes, sendo o preço real substancialmente superior. Alterar tal
conclusão demandaria reexame de fatos e provas, providência vedada
pela Súmula 7/STJ.
4. A alegação de divergência jurisprudencial não
atende aos requisitos do art. 1.029, § 1º, do CPC, por ausência de
cotejo analítico entre o acórdão recorrido e o paradigma invocado.
Ademais, o entendimento do Tribunal de origem está em consonância
com a jurisprudência desta Corte, que admite a relativização da
presunção de veracidade da escritura pública mediante prova em
contrário, atraindo a aplicação da Súmula 83/STJ.
5. A questão
relativa a insegurança jurídica e a sonegação fiscal não foi objeto
de análise pelo acórdão recorrido, inexistindo prequestionamento
sobre eventual violação da legislação tributária. Incide, portanto,
o óbice da Súmula 282/STF, aplicada por analogia.
6. Agravo
conhecido. Recurso especial não conhecido.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.