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REsp 202303681605 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 2104733
- Registro
- 202303681605
- Classe
- RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- HUMBERTO MARTINS
- Órgão julgador
- TERCEIRA TURMA
- Data da decisão
- 2025-12-01
- Data de publicação
- DJEN DATA:04/12/2025
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 01/12/2025
Ementa
DIREITO CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS
MATERIAIS E MORAIS. COBRANÇA JUDICIAL DE DÍVIDA JÁ PAGA. AUSÊNCIA DE
COMPROVAÇÃO. REEXAME-FÁTICO PROBATÓRIO. INVIABILIDADE. RECURSO NÃO
CONHECIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Recurso especial interposto contra acórdão que reformou sentença
de parcial procedência em ação de indenização por danos materiais e
morais, decorrente de cobrança judicial de dívida supostamente já
quitada, para julgar improcedente o pedido.
2. A sentença de primeiro grau condenou o recorrido ao pagamento de
indenização por danos materiais. O Tribunal de Justiça reformou a
decisão, entendendo que não houve comprovação do pagamento integral
da dívida renegociada nem má-fé do credor.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
3. Há três questões em discussão: (i) saber se houve violação ao
art. 489 do CPC, por suposta ausência de fundamentação no acórdão
recorrido; (ii) saber se a análise dos documentos apresentados pela
parte recorrente foi suficiente para afastar a alegação de má-fé do
credor; e (iii) saber se a aplicação da sanção prevista no art. 940
do Código Civil é cabível no caso de cobrança judicial de dívida já
paga.
III. RAZÕES DE DECIDIR
4. O Tribunal de origem fundamentou adequadamente sua decisão,
analisando os elementos constantes nos autos e afastando a alegação
de má-fé do credor, o que afasta a violação ao art. 489 do CPC.
5. A análise dos documentos apresentados pela parte recorrente foi
realizada pela corte estadual, que concluiu pela ausência de
comprovação do pagamento integral da dívida renegociada e pela
inexistência de má-fé do credor. Rever tal entendimento demandaria
reexame de fatos e provas, vedado pela Súmula 7 do STJ.
6. A aplicação da sanção prevista no art. 42, parágrafo único, do
Código de Defesa do Consumidor exige a comprovação de má-fé do
credor, o que não foi demonstrado no caso concreto, conforme
entendimento consolidado no STJ.
7. A alegação de violação ao art. 93, IX, da Constituição Federal
não pode ser analisada em sede de recurso especial, por tratar-se de
matéria de ordem constitucional, cuja apreciação é reservada ao
Supremo Tribunal Federal.
IV. DISPOSITIVO E TESE
Resultado do Julgamento: Recurso especial não conhecido.
Tese de julgamento:
1. A aplicação da sanção prevista no 42, parágrafo único, do Código
de Defesa do Consumidor exige a comprovação de má-fé do credor, não
bastando a simples cobrança de dívida já quitada.
2. O reexame de fatos e provas é vedado em sede de recurso especial,
nos termos da Súmula 7 do STJ.
3. A análise de matéria constitucional não é cabível em recurso
especial, sendo reservada ao Supremo Tribunal Federal.
Dispositivos relevantes citados: CPC, arts. 489, 371; CC, art. 940;
CF/1988, art. 93, IX.
Jurisprudência relevante citada: STJ, REsp 1.936.100/MS, Rel. Min.
Humberto Martins, Terceira Turma, DJEN 15.05.2025; STJ, AgInt no
AREsp 483.201/DF, Rel. Min. Humberto Martins, Terceira Turma, DJE
12.04.2024.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.