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AgInt nos EDcl no AREsp 202501646943 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 2929976
- Registro
- 202501646943
- Classe
- AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- JOÃO OTÁVIO DE NORONHA
- Órgão julgador
- QUARTA TURMA
- Data da decisão
- 2025-11-10
- Data de publicação
- DJEN DATA:13/11/2025
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 10/11/2025
Ementa
DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO
ESPECIAL. DECISÃO MONOCRÁTICA PROFERIDA NA FORMA DO CPC E DO RISTJ.
COLEGIALIDADE. ARGUIÇÃO DA RELEVÂNCIA. ATO ADMINISTRATIVO N. 8 DO
STJ. VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. DISTRIBUIÇÃO POR
DEPENDÊNCIA. REGIMENTO INTERNO DE TRIBUNAL LOCAL. SÚMULA N. 280 DO
STF. MULTA POR EMBARGOS PROTELATÓRIOS. PREVENÇÃO. REEXAME DE PROVAS.
SÚMULA N. 7 DO STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. PREJUDICADO.
HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS. LIMITE MÁXIMO. MAJORAÇÃO. NÃO CABIMENTO.
ART. 85, § 2º, DO CPC. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO.
I. CASO EM
EXAME
1. Agravo interno interposto contra decisão monocrática que
negou provimento ao recurso especial, com majoração de honorários
advocatícios.
2. A parte agravante alega equívoco na aplicação da
Súmula n. 280 do STF, violação do art. 1.026, § 2º, do CPC/2015,
omissão quanto à base de cálculo para majoração de honorários,
ausência de análise sobre gratuidade de justiça e contradição na
aplicação de precedentes sobre prevenção e distribuição por
dependência.
3. Requer o provimento do agravo interno para
viabilizar o processamento do recurso especial, afastar a multa por
embargos protelatórios e anular o acórdão recorrido, entre outros
pedidos subsidiários.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
4. Há seis questões
em discussão: (i) saber se a aplicação da Súmula n. 280 do STF foi
correta, considerando a interpretação de norma local sobre
prevenção; (ii) verificar a adequação da multa por embargos
protelatórios, à luz do art. 1.026, § 2º, do CPC/2015 e da Súmula n.
98 do STJ; (iii) avaliar a alegada omissão quanto à base de cálculo
para majoração de honorários e à gratuidade de justiça; (iv) avaliar
a existência de omissão e deficiência da prestação jurisdicional;
(v) avaliar a alegada violação do princípio da colegialidade; (vi)
avaliar a necessidade de analisar a arguição de relevância no
recurso.
III. RAZÕES DE DECIDIR
5. O Tribunal de origem decidiu a
controvérsia sobre prevenção com base no art. 79 do Regimento
Interno do TJMG, configurando aplicação de norma local, o que atrai
a incidência da Súmula n. 280 do STF, inviabilizando o exame do
recurso especial.
6. A multa por embargos protelatórios foi aplicada
com base no entendimento de que os embargos opostos tinham o intuito
de rediscutir matéria já decidida, configurando abuso de direito. A
Súmula n. 98 do STJ não se aplica quando há evidente intuito
protelatório.
7. A decisão monocrática do relator encontra respaldo
no art. 932, III, do CPC/2015 e no art. 34, XVIII, do RISTJ, não
havendo violação do princípio da colegialidade, uma vez que o agravo
interno permite a apreciação pelo órgão colegiado.
8. Deixa-se de
majorar os honorários recursais nos termos do § 11 do art. 85 do
CPC, quando se alcança do limite máximo previsto no § 2º do referido
artigo.
9. A ausência de regulamentação da inovação trazida pela
Emenda Constitucional n. 125/2022 afasta a exigência da arguição de
relevância de questão federal para admissão do recurso especial,
conforme o Ato Administrativo n. 8 do STJ (AgInt nos EDcl no AREsp
n. 2.412.253/RS, da minha relatoria, Quarta Turma, julgado em
9/9/2024, DJe de 12/9/2024).
10. Não há ofensa aos arts. 489 e 1.022
do CPC quando o tribunal de origem decide, de modo claro, objetivo e
fundamentado, as questões essenciais ao deslinde da controvérsia,
embora sem acolher a tese do insurgente.
IV. DISPOSITIVO E TESE
11.
Agravo interno parcialmente provido.
Tese de julgamento: "1. A
aplicação da Súmula n. 280 do STF inviabiliza o exame de recurso
especial quando a controvérsia é decidida com base em norma de
caráter local. 2. A multa por embargos protelatórios é cabível
quando há evidente intuito de rediscutir matéria já decidida, mesmo
que os embargos sejam os primeiros opostos. 3. A decisão monocrática
do relator, prevista no art. 932, III, do CPC/2015, não viola o
princípio da colegialidade, desde que seja possível a interposição
de agravo interno. 4. A ausência de regulamentação da inovação
trazida pela Emenda Constitucional n. 125/2022 afasta a exigência da
arguição de relevância de questão federal para admissão do recurso
especial, conforme o Ato Administrativo n. 8 do STJ (AgInt nos EDcl
no AREsp n. 2.412.253/RS, da minha relatoria, Quarta Turma, julgado
em 9/9/2024, DJe de 12/9/2024.) 5. Não há ofensa aos arts. 489 e
1.022 do CPC quando o tribunal de origem decide, de modo claro,
objetivo e fundamentado, as questões essenciais ao deslinde da
controvérsia, embora sem acolher a tese do insurgente. 6. Deixa-se
de majorar os honorários recursais nos termos do § 11 do art. 85 do
CPC, quando se alcança do limite máximo previsto no § 2º do referido
artigo".
Dispositivos relevantes citados: CPC/2015, arts. 79, 85, §
11, 286, 489, § 1º, VI, 1.022, II, 1.026, § 2º, e 932, III; RITJMG,
art. 79; CF/1988, art. 105, § 1º.
Jurisprudência relevante citada:
STF, Súmula n. 280; STJ, AgInt no AREsp 2.115.223/MG, Rel. Min.
Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 17.04.2023; STJ, AgInt no
AREsp 1.898.375/RS, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira
Turma, DJe de 30.06.2022.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.