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AREsp 202302065571 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 2387161
- Registro
- 202302065571
- Classe
- AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- RAUL ARAÚJO
- Órgão julgador
- QUARTA TURMA
- Data da decisão
- 2025-11-17
- Data de publicação
- DJEN DATA:25/11/2025
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 17/11/2025
Ementa
DIREITO CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRATO DE SEGURO DE
VIDA. REAJUSTE POR FAIXA ETÁRIA. ÍNDOLE ABUSIVA NÃO CONFIGURADA.
AGRAVO CONHECIDO PARA NÃO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL.
RAZÕES DE
DECIDIR
1. Agravo interposto contra decisão que inadmitiu recurso
especial, no qual se buscava a reforma de acórdão do Tribunal de
Justiça do Estado de São Paulo que julgou improcedente ação
revisional cumulada com pedido de indenização por danos morais,
relacionada a contrato de seguro de vida.
2. O acórdão recorrido
confirmou a validade do reajuste do prêmio por faixa etária,
reconhecendo sua necessidade para o equilíbrio atuarial do contrato,
afastando a aplicação da Lei 9.656/98 por analogia e rejeitando a
configuração de índole abusiva, onerosidade excessiva, vício de
consentimento e dano moral.
3. Há duas questões em discussão: (I)
saber se o reajuste do prêmio por faixa etária em contrato de seguro
de vida é abusivo ou desproporcional, considerando a aplicação do
Código de Defesa do Consumidor e a teoria da onerosidade excessiva;
e (II) saber se houve cerceamento de defesa pelo julgamento
antecipado da lide sem a produção de provas requeridas.
4. O
reajuste do prêmio por faixa etária em contrato de seguro de vida é
válido e necessário para o equilíbrio atuarial, não sendo aplicável,
por analogia, a regra do art. 15 da Lei 9.656/98, que regula planos
de saúde, dada a natureza distinta dos contratos.
5. Não se
configurou cerceamento de defesa, pois o julgamento antecipado da
lide foi fundamentado na suficiência do conjunto probatório
existente, em conformidade com o art. 355, I, do CPC, e com o
princípio do livre convencimento motivado (art. 371 do CPC).
6. A
alegação de índole abusiva do reajuste foi afastada com base na
ciência prévia do contratante sobre as cláusulas contratuais e na
inexistência de vício de consentimento ou violação à boa-fé
objetiva.
7. A revisão do contrato com base na teoria da onerosidade
excessiva foi rejeitada, pois não se demonstrou alteração
superveniente das condições contratuais que justificasse a aplicação
dos arts. 317 e 478 do Código Civil.
8. A pretensão de reexame de
cláusulas contratuais e de fatos e provas encontra óbice nas Súmulas
5 e 7 do STJ.
9. Agravo conhecido para não conhecer do recurso
especial.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.