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AREsp 202501761247 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 2938134
- Registro
- 202501761247
- Classe
- AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- DANIELA TEIXEIRA
- Órgão julgador
- TERCEIRA TURMA
- Data da decisão
- 2025-11-03
- Data de publicação
- DJEN DATA:06/11/2025
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 03/11/2025
Ementa
DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO
DECLARATÓRIA DE NULIDADE C. C. RECONHECIMENTO DE SOCIEDADE DE FATO E
APURAÇÃO DE HAVERES. COMPETÊNCIA. POLO PASSIVO DA DEMANDA. NEGATIVA
DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. INOCORRÊNCIA. VIOLAÇÃO A DIREITO LOCAL.
SÚMULA 280/STF. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF.
NECESSIDADE DE REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. SÚMULA 7/STJ. ACÓRDÃO EM
CONFORMIDADE COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SÚMULA 83/STJ. AGRAVO NÃO
CONHECIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo em recurso especial interposto contra decisão que
inadmitiu recurso especial, com fundamento na ausência de
prequestionamento, incidência das Súmulas 5, 7 e 83 do STJ e da
Súmula 280 do STF, aplicada por analogia. A parte agravante sustenta
que a decisão recorrida merece reforma, por suposta violação de
dispositivos legais federais e erro na conclusão da instância
ordinária quanto à legitimidade passiva das pessoas jurídicas.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
2. Há quatro questões em discussão: (i) existência de negativa de
prestação jurisdicional; (ii) aplicação da Súmula 280/STF à hipótese
de alegada violação a direito local; (iii) ausência de
prequestionamento dos dispositivos federais tidos por violados; (iv)
inviabilidade de revisão fático-probatória e de cláusulas
contratuais nesta instância especial; (v) acórdão recorrido alinhado
à jurisprudência do STJ.
III. RAZÕES DE DECIDIR
3. Não há negativa de prestação jurisdicional quando o acórdão
examina as questões relevantes à luz dos argumentos trazidos pelas
partes, de forma motivada e suficiente (AgInt no AREsp n.
2.746.371/PE, rel. Min. Humberto Martins, Terceira Turma, DJe
20/3/2025).
4. A alegada violação a normas infraconstitucionais locais atrai a
aplicação analógica da Súmula 280/STF, que impede o conhecimento do
recurso especial quando a controvérsia se assenta em direito local
(AgInt no AREsp n. 1.534.050/RJ, rel.ª Min.ª Nancy Andrighi,
Terceira Turma, DJe 18/3/2022).
5. A ausência de debate efetivo nos acórdãos recorridos sobre os
artigos tidos por violados (arts. 49-A, 50, 167, § 1º, I a III do
CC) impede o conhecimento do recurso especial por ausência de
prequestionamento, nos termos da Súmula 282/STF (AgInt no AREsp n.
2.582.153/DF, rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma,
DJe 29/8/2024).
6. A análise da tese recursal quanto à legitimidade passiva das
pessoas jurídicas demanda reexame do conjunto fático-probatório dos
autos, providência vedada pela Súmula 7/STJ (AgInt no REsp n.
2.151.760/SC, rel. Min. Humberto Martins, Terceira Turma, DJe
12/12/2024).
7. O acórdão recorrido adota entendimento consolidado no STJ no
sentido de que, em ação de apuração de haveres, a legitimidade
passiva é da sociedade e dos sócios remanescentes, em litisconsórcio
passivo necessário (REsp n. 1.015.547/AM, Quarta Turma, DJe
14/12/2016), o que atrai a incidência da Súmula 83/STJ.
8. O agravante não logrou trazer precedente específico,
contemporâneo ou superveniente ao acórdão recorrido, que infirmasse
o entendimento adotado ou demonstrasse distinção relevante entre os
casos comparados (AgRg no AREsp n. 238.064/RJ, rel. Min. Ricardo
Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe 18/8/2014).
IV. DISPOSITIVO
9. Agravo em recurso especial não conhecido.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.