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REsp 202401582696 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 2141365
- Registro
- 202401582696
- Classe
- RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- JOÃO OTÁVIO DE NORONHA
- Órgão julgador
- QUARTA TURMA
- Data da decisão
- 2026-02-09
- Data de publicação
- DJEN DATA:13/02/2026
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 09/02/2026
Ementa
DIREITO PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. IMPENHORABILIDADE DO BEM
DE FAMÍLIA. FRAUDE À EXECUÇÃO. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO EM PARTE
E, NA PARTE CONHECIDA, PROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Recurso especial interposto contra acórdão do Tribunal de Justiça
do Estado de Minas Gerais que, em agravo de instrumento, afastou a
impenhorabilidade de bem de família em razão de fraude à execução
reconhecida.
2. A controvérsia diz respeito a agravo de instrumento contra
decisão que não conheceu impugnação por intempestividade.
3. A Corte estadual negou provimento ao agravo, reconhecendo que a
impenhorabilidade é matéria de ordem pública, mas afastando a
proteção legal em razão de fraude à execução.
II- QUESTÃO EM DISCUSSÃO
4. A questão em discussão consiste em saber se a fraude à execução,
reconhecida na alienação de imóvel, afasta automaticamente a
proteção da impenhorabilidade do bem de família, ou se é necessária
análise casuística para verificar a manutenção da destinação de
moradia e a ausência de prejuízo ao credor.
III. RAZÕES DE DECIDIR
5. Não compete ao Superior Tribunal de Justiça analisar suposta
ofensa a dispositivo constitucional.
6. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça estabelece que a
fraude à execução pode afastar a impenhorabilidade do bem de
família, mas a análise deve ser casuística, notadamente quando o
imóvel já possuía a qualificação de bem de família antes da
alienação e manteve essa característica após a transação.
7. Diante da orientação consolidada pela Segunda Seção do STJ,
impõe-se a devolução dos autos à origem para adequação do julgado,
com exame específico dos elementos fático-probatórios.
IV. DISPOSITIVO E TESE
8. Recurso especial conhecido em parte e, nessa extensão, provido.
Tese de julgamento: "1. Não compete ao Superior Tribunal de Justiça
o exame de suposta violação a dispositivo constitucional. 2. A
fraude à execução não afasta, por si, a impenhorabilidade do bem de
família; é necessária análise casuística sobre a qualificação
anterior do imóvel como moradia, a manutenção dessa destinação após
a alienação e eventual desvio do proveito econômico em prejuízo do
credor."
Dispositivos relevantes citados: Constituição Federal, art. 6º; Lei
n. 8.009/1990, arts. 1º, 5º; Lei n. 10.741/2003, art. 37; Código de
Processo Civil, art. 792, § 1º.
Jurisprudência relevante citada: STJ, AgInt no AREsp n.
1.213.638/SC, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em
26/2/2024; STJ, AgInt no REsp n. 1.698.204/RJ, relator Ministro
Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 1/6/2020; STJ, REsp n.
1.604.422/MG, relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira
Turma, julgado em 24/8/2021; STJ, EREsp n. 1.559.370/DF, relator
Ministro Moura Ribeiro, Segunda Seção, julgados em 24/5/2023; STJ,
AgInt nos EDcl nos EDcl no REsp n. 1.839.188/RS, relator Ministro
Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 25/9/2023; STJ,
AgInt no AREsp n. 2.138.623/DF, relator Ministro Antonio Carlos
Ferreira, Quarta Turma, julgado em 4/12/2023; STJ, AgInt no REsp n.
2.030.295/SP, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma,
julgado em 17/4/2023; STJ, AgInt no REsp n. 1.668.243/PR, relator
Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 12/9/2022; STJ, AgInt
nos EDcl no AREsp n. 1.826.800/RN, relator Ministro Moura Ribeiro,
Terceira Turma, julgado em 27/6/2022; STJ, EAREsp n. 2.141.032/GO,
relatora Ministra Nancy Andrighi, Segunda Seção, julgados em
6/2/2025; STJ, REsp n. 2.119.189/MG, relator Ministro Raul Araújo,
Quarta Turma, julgado em 31/3/2025; STJ, AgInt no AREsp n.
2.070.914/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira
Turma, julgado em 19/5/2025.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.