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AREsp 202500131896 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 2843089
- Registro
- 202500131896
- Classe
- AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- RAUL ARAÚJO
- Órgão julgador
- QUARTA TURMA
- Data da decisão
- 2026-02-09
- Data de publicação
- DJEN DATA:13/02/2026
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 09/02/2026
Ementa
DIREITO DO CONSUMIDOR. PLANO DE SAÚDE COLETIVO POR ADESÃO.
CANCELAMENTO UNILATERAL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ENTRE OPERADORA
E ADMINISTRADORA. SÚMULA 83/STJ. INADIMPLEMENTO INFERIOR A SESSENTA
DIAS. IRREGULARIDADE NO CANCELAMENTO. DANO MORAL CONFIGURADO. VALOR
RAZOÁVEL. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. SÚMULA 7/STJ. VIOLAÇÃO DE
DISPOSITIVO LEGAL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS 282 E
356/STF. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL PREJUDICADO. AGRAVO CONHECIDO PARA
CONHECER PARCIALMENTE DO RECURSO ESPECIAL E, NESSA EXTENSÃO,
NEGAR-LHE PROVIMENTO.
1. O Tribunal de origem decidiu pela legitimidade passiva da
operadora, afirmando que a administradora de benefícios atua apenas
na comercialização/gestão, cabendo à operadora a responsabilidade
perante o consumidor. Essa conclusão está em harmonia com a
jurisprudência do STJ, que reconhece a responsabilidade solidária de
todas as empresas da cadeia de fornecimento (operadora e
administradora). Incidência da Súmula 83/STJ.
2. O acórdão recorrido aplicou o art. 13, II, da Lei 9.656/98, e
concluiu, com base nas provas, que a inadimplência do autor não
ultrapassou 60 dias, tornando o cancelamento irregular. A
jurisprudência do STJ não diferencia contratos individuais e
coletivos para a aplicação das regras de cancelamento por
inadimplência, exigindo o prazo de 60 dias e a prévia notificação.
Revisar essa conclusão exigiria reavaliar provas, o que é vedado
pela Súmula 7/STJ.
3. O Tribunal de origem avaliou que a interrupção ilícita do plano
de saúde de uma criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA),
que depende de tratamento contínuo, gerou repercussões prejudiciais
na esfera extrapatrimonial do autor, configurando dano moral. Este
entendimento está em consonância com a jurisprudência do STJ, que
considera o cancelamento indevido de plano de saúde como dano moral
in re ipsa. A pretensão de afastar a condenação ou de revisar o
quadro fático demandaria reexame de provas, o que é vedado pela
Súmula 7/STJ.
4. O valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) fixado para a
indenização por danos morais não se mostra desarrazoado ou
excessivo, sobretudo diante da condição de saúde do beneficiário. A
jurisprudência do STJ só permite a intervenção no quantum em casos
de valor irrisório ou manifestamente excessivo. A revisão do valor
também encontra óbice na Súmula 7/STJ.
5. O conteúdo normativo do art. 369 do CPC não foi apreciado pelo
Tribunal de origem (Tribunal a quo), tampouco foram opostos embargos
de declaração para sanar a omissão. A falta do indispensável
prequestionamento atrai o óbice das Súmulas 282 e 356 do STF.
6. A inadmissão do recurso especial pela alínea "a" do permissivo
constitucional (óbices sumulares) prejudica a apreciação do dissídio
jurisprudencial (alínea "c"), referente aos mesmos dispositivos e
teses jurídicas.
7. Agravo conhecido para conhecer parcialmente do recurso especial
e, nessa extensão, negar-lhe provimento.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.