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AgRg no RHC 202503801049 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 224598
- Registro
- 202503801049
- Classe
- AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS
- Relator(a)
- CARLOS PIRES BRANDÃO
- Órgão julgador
- SEXTA TURMA
- Data da decisão
- 2026-03-04
- Data de publicação
- DJEN DATA:10/03/2026
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 04/03/2026
Ementa
DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EM HABEAS
CORPUS. LESÃO CORPORAL, AMEAÇA, CÁRCERE PRIVADO, ESTUPRO DE
VULNERÁVEL, TORTURA E CORRUPÇÃO DE MENORES. DECISÃO MONOCRÁTICA
PROFERIDA PELO RELATOR. PRINCÍPIO DA COLEGIALIDADE. AUSÊNCIA DE
VIOLAÇÃO. NULIDADE. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE. PRISÃO
PREVENTIVA. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. PRESENÇA DE CONTEMPORANEIDADE.
AGRAVO REGIMENTAL PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA EXTENSÃO, NÃO
PROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que
conheceu em parte de recurso ordinário em habeas corpus e, no
mérito, negou-lhe provimento. O agravante teve a prisão preventiva
decretada pela suposta prática dos crimes previstos nos arts. 129,
caput; 147, caput; 148, § 1º, inciso IV; e 217-A, todos do Código
Penal; bem como nos arts. 1º, inciso II, § 4º, inciso II, da Lei n.
9.455/1997 e 244-B da Lei n. 8.069/1990.
2. A decisão agravada não conheceu da alegação de nulidade em
virtude da supressão de instância. A prisão preventiva foi mantida
com fundamento na gravidade concreta dos delitos, no risco de
reiteração delitiva e na condição de foragido do agravante por mais
de um ano.
3. Nas razões do agravo regimental, a Defesa alegou nulidade da
decisão monocrática por violação ao princípio da colegialidade e
cerceamento de defesa, além de reiterar a tese de nulidade das
provas. Sustentou, ainda, ausência de periculum libertatis, falta de
contemporaneidade da medida extrema, negou a condição de foragido
acusado e destacou condições pessoais favoráveis.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
4. A questão em discussão consiste em saber: (i) se houve violação
ao princípio da colegialidade e cerceamento de defesa na decisão
monocrática; (ii) se a alegação de nulidade das provas pode ser
conhecida; (iii) se a prisão preventiva do agravante está
fundamentada em elementos concretos que justifiquem sua manutenção;
e (iv) se a alegação de ausência de contemporaneidade e as condições
pessoais favoráveis do agravante são suficientes para revogar a
prisão preventiva.
III. RAZÕES DE DECIDIR
5. A jurisprudência desta Corte Superior admite o julgamento
monocrático pelo relator quando o recurso se contrapõe a
entendimento consolidado do Tribunal, não havendo ofensa ao
princípio da colegialidade, mormente quando a matéria pode ser
levada ao órgão julgador por meio de agravo regimental.
6. Quanto à tese de nulidade das provas, a Defesa não impugnou
especificamente o fundamento da decisão agravada, atraindo a
incidência da Súmula n. 182 do STJ, por analogia.
7. A manutenção da prisão preventiva está fundamentada na gravidade
concreta das condutas imputadas, evidenciada pelo modus operandi
violento e perverso, pela reincidência do agravante e pelo fato de
ter permanecido foragido por mais de um ano, demonstrando risco à
ordem pública e à aplicação da lei penal, bem como a necessidade da
cautela por conveniência da instrução criminal.
8. A contemporaneidade da medida constritiva não se afere
exclusivamente pelo lapso temporal decorrido desde a prática
delitiva, mas, sobretudo, pela subsistência dos motivos que
ensejaram a decretação da custódia e pela atualidade do risco à
ordem pública ou à instrução criminal.
9. Condições pessoais favoráveis, como residência fixa e trabalho
lícito, não são suficientes para revogar a prisão preventiva quando
presentes os requisitos autorizadores da custódia.
IV. DISPOSITIVO
10. Agravo regimental parcialmente conhecido e, nessa extensão, não
provido.
Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no HC n. 1.015.188/SP,
relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em
3/9/2025; STJ, AgRg no HC n. 783.172/SP, relator Ministro Rogerio
Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 13/2/2023; STJ, AgRg no RHC
n. 209.747/RS, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta
Turma, julgado em 18/3/2025; STJ, AgRg no HC n. 889.113/ES, relator
Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em
27/11/2024.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.