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AREsp 202304182187 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 2515050
- Registro
- 202304182187
- Classe
- AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- JOÃO OTÁVIO DE NORONHA
- Órgão julgador
- QUARTA TURMA
- Data da decisão
- 2026-03-09
- Data de publicação
- DJEN DATA:12/03/2026
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 09/03/2026
Ementa
DIREITO ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO
ESPECIAL. REINTEGRAÇÃO DE POSSE E INDENIZAÇÃO POR BENFEITORIAS EM
BEM PÚBLICO. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DAS TESES E IMPOSSIBILIDADE
DE INDENIZAÇÃO. AGRAVO CONHECIDO PARA CONHECER E DAR PROVIMENTO AO
RECURSO ESPECIAL.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo em recurso especial interposto contra decisão que
inadmitiu o recurso especial por incidência das Súmulas n. 7 e 13 do
STJ e 284 do STF.
2. A controvérsia é sobre ação de reintegração de posse e
indenização por benfeitorias em área reconhecida como bem público
ocupada por mera detentora.
3. Na sentença, o Juízo de primeiro grau determinou a reintegração
na posse e condenou o autor ao pagamento de indenização pelas
benfeitorias.
4. A Corte de origem manteve integralmente a sentença e ajustou, de
ofício, a correção monetária e os juros conforme enunciados
administrativos.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
5. Há seis questões em discussão: (i) saber se houve violação do
art. 102 do CC diante da condenação à indenização de benfeitorias em
bem público por mero detentor; (ii) saber se foi demonstrado o
dissídio jurisprudencial nos termos do art. 1.029, § 1º, do CPC;
(iii) saber se a área está qualificada como bem público à luz do
art. 99 do CC; (iv) saber se a decisão contrariou a Súmula n. 619 do
STJ; (v) saber se houve ofensa aos arts. 183, § 3º, e 191 da CF
quanto à usucapião especial urbana e rural; e (vi) saber se há
divergência jurisprudencial sobre a impossibilidade de indenização a
ocupante de bem público.
III. RAZÕES DE DECIDIR
6. Não cabe, em recurso especial, apreciação de ofensa direta à
Constituição, afastando-se a análise das alegadas violações dos
arts. 183, § 3º, e 191, da CF.
7. O recurso especial não admite alegação de ofensa a enunciado
sumular. Aplica-se a Súmula n. 518 do STJ, afastando-se o
conhecimento por suposta afronta à Súmula n. 619 do STJ.
8. Reconhecida a ocupação de bem público como mera detenção, é
inviável a indenização por benfeitorias, de acordo com a
jurisprudência do STJ.
9. Dado o provimento pela alínea a do inciso III do art. 105 da
Constituição Federal, fica prejudicada a análise do dissídio
jurisprudencial.
IV. DISPOSITIVO E TESE
10. Agravo conhecido para se conhecer do recurso especial e dar-lhe
provimento para afastar a condenação do agravante ao pagamento de
indenização pelas benfeitorias realizadas em imóvel público.
Tese de julgamento: "1. Aplica-se a Súmula n. 518 do STJ à hipótese
em que não é admissível recurso especial fundado em alegada violação
de enunciado de súmula. 2. Incide a Súmula n. 619 do STJ quanto à
impossibilidade de retenção ou indenização por benfeitorias em
ocupação indevida de bem público. 3. Não incide a Súmula n. 7 do STJ
quando a decisão se ampara em premissas fáticas incontroversas e em
tese de direito sobre a natureza pública do bem. 4. Fica
prejudicada a análise do dissídio jurisprudencial quando ocorre o
provimento do recurso pela alínea a".
Dispositivos relevantes citados: CC, arts. 99 e 102; CPC, art.
1.029, § 1º; CF, arts. 105, III, a e c, 183, § 3º, e 191.
Jurisprudência relevante citada: STJ, Súmulas n. 518 e 619; STJ,
AgInt no REsp n. 2.011.758/DF, relator Ministro Herman Benjamin,
Segunda Turma, julgado em 19/8/2024; STJ, AgInt no REsp n.
2.107.430/CE, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda
Turma, julgado em 29/4/2024; STJ, REsp n. 1.183.266/PR, relator
Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em
18/5/2011; STJ, AgInt no REsp n. 1.584.835/DF, relator Ministro
Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 19/11/2019; STJ, AgInt no REsp
n. 1.744.310/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda
Turma, julgado em 16/9/2019; STJ, AgInt no REsp n. 1.338.825/RJ,
relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 3/4/2018;
STJ, AgInt no AREsp n. 1.564.887/MT, relatora Ministra Assusete
Magalhães, Segunda Turma, julgado em 10/3/2020; STJ, AgInt no REsp
n. 1.951.542/PB, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma,
julgado em 24/3/2022; STJ, AgInt no REsp n. 2.010.736/MG, relator
Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 28/11/2022;
STJ, REsp n. 1.768.554/RS, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda
Turma, julgado em 6/11/2018.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.