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AgInt no AgInt no CC 202404892687 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 210614
- Registro
- 202404892687
- Classe
- AGRAVO INTERNO NO AGRAVO INTERNO NO CONFLITO DE COMPETÊNCIA
- Relator(a)
- JOÃO OTÁVIO DE NORONHA
- Órgão julgador
- SEGUNDA SEÇÃO
- Data da decisão
- 2026-03-11
- Data de publicação
- DJEN DATA:16/03/2026
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 11/03/2026
Ementa
Direito Processual Civil. Agravo Interno. Conflito Positivo de
Competência. Recuperação Judicial. Atos Constritivos. Crédito
Quitado. Competência do Juízo Universal. Agravo Desprovido.
I. Caso
em exame
1. Agravo interno interposto pelo Estado de Goiás contra
decisão monocrática que declarou competente o Juízo da 1ª Vara de
Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo/SP para deliberar
sobre atos de constrição patrimonial e eventual liberação de valores
relacionados a crédito ambiental executado pelo ente estadual.
2. O
agravante sustenta que o Juízo da Fazenda Pública de Caçu/GO não
teria se oposto a determinações do juízo universal, limitando-se a
determinar atos constritivos de natureza fiscal, nos termos do art.
6º, §7º-B, da Lei n. 11.101/2005, e que não haveria conflito de
competência.
3. A agravada, por sua vez, defende que o crédito
ambiental foi devidamente habilitado e quitado no processo de
recuperação judicial, com sentença de encerramento transitada em
julgado, e que o bloqueio de valores pelo juízo da execução fiscal
caracteriza conflito positivo de competência.
II. Questão em
discussão
4. A questão em discussão consiste em saber se o juízo da
execução fiscal pode determinar atos constritivos sobre crédito já
quitado e incluído no plano de recuperação judicial aprovado, sem
que isso configure ingerência indevida na competência do juízo
universal.
III. Razões de decidir
5. A jurisprudência do STJ é
pacífica no sentido de que, mesmo após as alterações introduzidas
pela Lei n. 14.112/2020, o controle de atos de constrição e
alienação de bens de empresa em recuperação judicial permanece sob a
competência do juízo universal, em respeito ao princípio da
preservação da empresa.
6. No caso concreto, o crédito ambiental foi
habilitado, quitado e certificado como tal pelo juízo da recuperação
judicial, com sentença de encerramento proferida. A manutenção da
execução fiscal e o bloqueio de ativos configuram ingerência
indevida na competência funcional do juízo universal.
7. A ausência
de impugnação específica aos fundamentos da decisão agravada e a
mera reiteração de argumentos já apreciados conduzem ao
desprovimento do agravo interno, nos termos do art. 1.021, §1º, do
CPC.
IV. Dispositivo e tese
8. Resultado do Julgamento: Agravo
interno desprovido.
Tese de julgamento:
1. O controle de atos de
constrição e alienação de bens de empresa em recuperação judicial é
de competência exclusiva do juízo universal, em respeito ao
princípio da preservação da empresa.
2. A superveniência de sentença
de encerramento da recuperação judicial, com certificação de
cumprimento integral do plano, impede o reexame de obrigações já
declaradas quitadas, sob pena de violação da coisa julgada e da
competência funcional do juízo universal.
Dispositivos relevantes
citados: Lei n. 11.101/2005, art. 6º, §7º-B; CPC, art. 1.021,
§1º.
Ju risprudência relevante citada: STJ, AgInt no CC 159.771/PE,
Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Segunda Seção, DJe 30/3/2021; STJ,
AgInt no CC 150.844/GO, Rel. Min. Marco Buzzi, Segunda Seção, DJe
20/9/2017.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.