← Jurioteca
AREsp 202400648523 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 2583906
- Registro
- 202400648523
- Classe
- AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- JOÃO OTÁVIO DE NORONHA
- Órgão julgador
- QUARTA TURMA
- Data da decisão
- 2026-03-16
- Data de publicação
- DJEN DATA:19/03/2026
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 16/03/2026
Ementa
DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO MONITÓRIA
FUNDADA EM CHEQUE PRESCRITO. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL,
FUNDAMENTAÇÃO, PREQ UESTIONAMENTO E REEXAME DE PROVAS. AGRAVO EM
RECURSO ESPECIAL CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO EM PARTE E
DESPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo em recurso especial
interposto contra decisão que inadmitiu o recurso especial por
impossibilidade de conhecimento de matéria constitucional,
inexistência de ofensa aos arts. 489 e 1.022 do CPC e incidência da
Súmula n. 7 do STJ.
2. A controvérsia diz respeito a ação monitória
fundada em cheque emitido pela ré e ao pagamento da quantia indicada
na cártula.
3. Na sentença, o Juízo de primeiro grau rejeitou os
embargos à monitória e a reconvenção e constituiu em título
executivo judicial o cheque da inicial.
4. A Corte de origem manteve
integralmente a sentença, negando provimento à apelação.
II. QUESTÃO
EM DISCUSSÃO
5. Há seis questões em discussão: (i) saber se houve
negativa de prestação jurisdicional por omissões, contradições e
falta de fundamentação quanto às provas de quitação, à
inexistência/extinção da obrigação e ao erro de fato, por violação
dos arts. 1.022, II e III, parágrafo único, e 489, § 1º, IV, do CPC;
(ii) saber se o acórdão incorreu em negativa de vigência ao art. 371
do CPC por não apreciar provas de quitação; (iii) saber se há erro
de fato e falsa premissa fática, nos termos do art. 966 do CPC; (iv)
saber se a decisão é nula por violação ao art. 11 do CPC; (v) saber
se deve incidir o art. 1.013, § 3º, IV, do CPC para julgamento da
nulidade por falta de fundamentação; e (vi) saber se houve ofensa ao
art. 93, IX, da Constituição Federal por ausência de
fundamentação.
III. RAZÕES DE DECIDIR
6. Não se verifica a alegada
violação ao art. 93, IX, da Constituição Federal, pois o recurso
especial tem objeto restrito à lei federal e a análise direta de
matéria constitucional usurpa a competência do STF.
7. Incide a
Súmula n. 211 do STJ quanto aos arts. 11 e 1.013, § 3º, IV, do CPC,
por ausência de prequestionamento específico.
8. Não ocorreu a
ofensa aos arts. 1.022 e 489 do CPC, porque o acórdão enfrentou de
forma clara e objetiva as questões relevantes e decisão contrária ao
interesse da parte não configura omissão ou ausência de
fundamentação.
9. Incide a Súmula n. 7 do STJ quanto às alegações
fundadas nos arts. 371 e 966 do CPC, porque a revisão pretendida
demanda reexame de fatos e provas.
10. Incide a Súmula n. 83 do STJ,
por estar o acórdão recorrido em conformidade com a orientação desta
Corte sobre ação monitória fundada em cheque prescrito.
IV.
DISPOSITIVO E TESE
11. Agravo em recurso especial conhecido para
conhecer em parte do recurso especial e negar-lhe provimento.
Tese
de julgamento: "1. Não compete ao STJ, em recurso especial, o exame
direto de violação a dispositivo constitucional. 2. Aplica-se a
Súmula n. 211 do STJ para afastar matéria sem prequestionamento
específico. 3. Não há negativa de prestação jurisdicional quando o
acórdão decide de modo claro e fundamentado as questões relevantes.
4. Incide a Súmula n. 7 do STJ nas teses que exigem reexame de fatos
e provas. 5. Incide a Súmula n. 83 do STJ quando o acórdão recorrido
está em consonância com a jurisprudência sobre ação monitória
baseada em cheque prescrito".
Dispositivos relevantes citados: CPC,
arts. 371, 700, 966, 1.013 § 3º IV, 1.022 parágrafo único II e III,
489 § 1º IV e 85 § 11; CF, arts. 93 IX, 102 III e 105 III; CPC/73,
art. 1102-A.
Jurisprudência relevante citada: STJ, Súmulas n. 7, 83
e 211; STF, Súmula n. 735; STJ, AgInt no AREsp n. 2.779.024/RJ,
relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, julgado em
8/9/2025; STJ, AgInt no REsp n. 1.781.470/RJ, relator Ministro João
Otávio de Noronha, Quarta Turma, julgado em 1/7/2024; STJ, AgInt no
AREsp n. 2.135.804/SP, relator Ministro João Otávio de Noronha,
Quarta Turma, julgado em 12/8/2024; STJ, AgInt no REsp n.
2.129.758/MG, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma,
julgado em 14/4/2025; STJ, AREsp n. 2.061.592/SP, relator Ministro
Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 16/12/2025; STJ, AgInt no
AREsp n. 2.653.948/DF, relator Ministro João Otávio de Noronha,
Quarta Turma, julgado em 30/9/2024; STJ, REsp n. 415.706/PR, relator
Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira, Quarta Turma, julgado em
12/8/2002.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.