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HC 202402864477 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 933945
- Registro
- 202402864477
- Classe
- HABEAS CORPUS
- Relator(a)
- SEBASTIÃO REIS JÚNIOR
- Órgão julgador
- SEXTA TURMA
- Data da decisão
- 2026-03-25
- Data de publicação
- DJEN DATA:30/03/2026
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 25/03/2026
Ementa
HABEAS CORPUS. ROUBO MAJORADO E ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA. PLEITO DE
NULIDADE. DECISÃO DE QUEBRA DE SIGILO DE DADOS TELEFÔNICOS.
FUNDAMENTAÇÃO CONCRETA. INDÍCIOS DE AUTORIA PRESENTES E NECESSIDADE
DA MEDIDA DEMONSTRADA. INEXISTÊNCIA DE ILEGALIDADE.
1. É necessário
distinguir o sigilo que recai sobre as interceptações telefônicas
cuja mitigação encontra disciplina específica na Lei n. 9.296/1996
daquele atinente aos dados telefônicos dos usuários. Estes últimos
compreendem informações de natureza cadastral e registros externos
de comunicação, tais como nome, endereço, número de acesso, datas,
horários e demais metadados das chamadas, não abrangendo o teor das
conversas realizadas.
2. A jurisprudência do Superior Tribunal de
Justiça é firme no sentido de admitir que a decisão que determina a
quebra de sigilo de dados telefônicos possa ser fundamentada de
forma sucinta, desde que evidencie, ainda que por remissão, a
presença dos requisitos legais autorizadores da medida e a
pertinência da providência no contexto fático-probatório dos
autos.
3. In casu, a representação da autoridade policial, acolhida
pelo juízo a quo, indicou fatos concretos vinculando os investigados
aos crimes de roubo, incluindo identificação de veículo suspeito,
antecedentes criminais e frustração de diligências preliminares,
demonstrando a imprescindibilidade da quebra de sigilo de dados para
verificar a presença dos investigados no local dos fato s por meio
de estações rádio-base.
4. Portanto, ao contrário do alegado pelo
impetrante, o acesso aos dados telefônicos foi precedido de
autorização judicial concretamente fundamentada, limitada ao
histórico de chamadas das linhas em nome dos investigados, sem
captar o conteúdo das comunicações, inexistindo qualquer
ilegalidade.
5. Ordem denegada.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.