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AREsp 202504414700 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 3105220
- Registro
- 202504414700
- Classe
- AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- FRANCISCO FALCÃO
- Órgão julgador
- SEGUNDA TURMA
- Data da decisão
- 2026-04-07
- Data de publicação
- DJEN DATA:10/04/2026
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 07/04/2026
Ementa
TRIBUTÁRIO. ICMS. CREDITAMENTO INDEVIDO. AUTO DE INFRAÇÃO.
UTILIZAÇÃO DE CRÉDITO PARA FINS DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
RECURSO ESPECIAL DO ESTADO PROVIDO. RECURSO ESPECIAL DO
CONTRIBUINTE. VIOLAÇÃO AOS ARTS. 489 e 1022 DO CPC. INEXISTÊNCIA.
TESE PELA APLICAÇÃO DO PRINCIPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. FALTA DE
PREQUESTIONAMENTO. DEMAIS DISPOSITIVOS. SUMULA 7/STJ. DIVERGÊNCIA
JURISPRUDENCIAL. SÚMULA 284/STF.
I - Na origem cuida-se de ação anulatória de auto de infração
lavrado pelo Estado do Rio de Janeiro, em que a autora sustentou a
legitimidade do aproveitamento de créditos de ICMS na saída de
imposto reduzido. O Tribunal a quo, entendeu que o creditamento
restou indevido, porquanto o contribuinte não poderia se beneficiar
da alíquota menor, reservada para produtos industrializados no Rio
de Janeiro, porque demonstrado que a mercadoria chegou ao Estado do
Rio pronta para a distribuição.
II - Na lavratura de auto de infração que identifica a ocorrência de
creditamento indevido de ICMS não se aplica a compensação
automática dos créditos acaso existentes em nome do mesmo
contribuinte.
III - No art. 170 do CTN é disciplinada a possibilidade de
compensação de créditos tributários, sob as condições e garantias
ali previstas, não sendo viável utilizar esse procedimento
diretamente no lançamento de ofício, sob pena de afrontar as
atividades de fiscalização e cobrança atribuídas ao fisco.
IV - O contribuinte poderá utilizar o crédito de ICMS para fins de
compensação com o tributo devido no âmbito do lançamento por
homologação, entretanto, é inexigível que o fisco proceda ao
encontro de contas quando do lançamento de ofício. Precedente: AREsp
n. 1.821.549/SP, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma,
julgado em 22/8/2023, DJe de 29/8/2023.
V - Tendo o julgador afastado as teses do recorrente contribuinte,
analisando a controvérsia e explicitado sua convicção de acordo com
a prova dos autos, se tem de rigor refutar a alegada ofensa aos
arts. 489 e 1022 do CPC.
VI - As alegações do recorrente contribuinte acerca da violação dos
arts. 11, 141 e 492 do CPC restaram inviabilizadas pela falta de
exame das matérias pelo Tribunal a quo, atraindo a incidência da
súmula 282/STF.
VII - Os demais questionamentos apresentados com a indicação de
outros dispositivos legais tidos como violados, visando amparar a
tese de ser devido o creditamento, inclusive com a afirmação de que
o processo industrial teria ocorrido no Rio de Janeiro, diversamente
do que entendeu o julgador, desafia a incidência da súmula 7/STJ.
VIII - No tocante ao dissídio jurisprudencial, verifica-se que,
conforme a previsão do art. 255, § 1º, do RISTJ, é de rigor a
caracterização das circunstâncias que identifiquem os casos
confrontados, cabendo a quem recorre demonstrar tais circunstâncias,
com indicação da similitude fática e jurídica entre os julgados,
apontando o dispositivo legal interpretado nos arestos em cotejo,
com a transcrição dos trechos necessários para tal demonstração. Em
face de tal deficiência recursal, aplica-se o constante da Súmula n.
284 do STF.
IX - Agravos conhecidos para conhecer parcialmente do recurso
especial da COMBRASIL ALIMENTOS S.A e nessa parte negar-lhe
provimento e para conhecer do recurso especial do ESTADO DO RIO DE
JANEIRO e lhe dar provimento, restaurando a sentença.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.