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REsp 202202837536 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 2025386
- Registro
- 202202837536
- Classe
- RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- JOÃO OTÁVIO DE NORONHA
- Órgão julgador
- QUARTA TURMA
- Data da decisão
- 2026-03-09
- Data de publicação
- DJEN DATA:14/04/2026
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 09/03/2026
Ementa
DIREITO CIVIL E DO CONSUMIDOR. RECURSO ESPECIAL. RESCISÃO CONTRATUAL
DE PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE APART-HOTEL, RESTITUIÇÃO DE VALORES
E LUCROS CESSANTES. CERCEAMENTO DE DEFESA, INCIDÊNCIA DO CDC PELA
TEORIA FINALISTA MITIGADA, CLÁUSULA PENAL E SOCIEDADE EM CONTA DE
PARTICIPAÇÃO, DISSÍDIO NÃO DEMONSTRADO. RECURSO ESPECIAL NÃO
CONHECIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Recurso especial interposto contra
acórdão que manteve integralmente a sentença, confirmou a rescisão
contratual com restituição integral, lucros cessantes e majorou
honorários.
2. A controvérsia versa sobre ação declaratória de
rescisão contratual c/c devolução de valores pagos e danos
materiais, envolvendo compromisso de compra e venda de unidade
autônoma de apart-hotel.
3. Na sentença, o Juízo de primeiro grau
rescindiu o contrato, determinou restituição integral dos valores,
fixou lucros cessantes e honorários.
4. A Corte de origem negou
provimento à apelação, manteve a condenação e majorou
honorários.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
5. Há quatro questões em
discussão: (i) saber se ocorreu cerceamento de defesa por
indeferimento de provas, com violação dos arts. 370, parágrafo
único, 7º, 6º e 355, I, do CPC; (ii) saber se incide o art. 2º do
CDC diante da aquisição de unidade para exploração econômica; (iii)
saber se incidem os arts. 408 e 992 do CC quanto à cláusula penal e
à requalificação da relação como sociedade em conta de participação;
e (iv) saber se há dissídio jurisprudencial adequadamente
demonstrado.
III. RAZÕES DE DECIDIR
6. Não há cerceamento de defesa
quando o juiz, destinatário da prova, fundamenta o julgamento
antecipado com base em prova documental suficiente; a ausência de
impugnação específica atrai, por analogia, a Súmula n. 284 do
STF.
7. Aplica-se o CDC pela teoria finalista mitigada quando
evidenciada a vulnerabilidade do adquirente, ainda que a destinação
do bem seja econômica.
8. A pretensão de afastar a culpa e
requalificar o contrato demanda reexame de provas e interpretação de
cláusulas contratuais, incidindo as Súmulas n. 5 e 7 do STJ.
9. O
dissídio não é conhecido por ausência de cotejo analítico.
IV.
DISPOSITIVO E TESE
10. Recurso especial não conhecido.
Tese de
julgamento: "1. Aplica-se a Súmula n. 284 do STF quando o recurso
não impugna de modo específico os fundamentos do acórdão recorrido
sobre o indeferimento de provas e julgamento antecipado. 2. Incide o
CDC, art. 2º, pela teoria finalista mitigada, quando demonstrada a
vulnerabilidade do adquirente em relação ao fornecedor. 3. Incidem
as Súmulas n. 5 e 7 do STJ para vedar a reinterpretação de cláusulas
contratuais e o reexame do conjunto fático-probatório ao tratar de
cláusula penal e sociedade em conta de participação."
Dispositivos
relevantes citados: CPC, arts. 6º, 7º, 355, I, 370, parágrafo único,
373, II; CDC, art. 2º; CC, arts. 408, 992; RISTJ, art. 255, §§ 1º e
2º; CPC, art. 1.029, § 1º.
Jurisprudência relevante citada: STJ,
AgInt no AREsp n. 1.555.095/SP, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta
Turma, julgado em 3/2/2020; STJ, AgInt no REsp n. 1.846.476/RS,
relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em
1/7/2020; STJ, REsp n. 1.195.642/RJ, relatora Ministra Nancy
Andrighi, Terceira Turma, julgado em 21/11/2012; STJ, Súmulas n. 5,
7; STF, Súmula n. 284.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.