← Jurioteca
AREsp 202503853999 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 3073415
- Registro
- 202503853999
- Classe
- AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- RAUL ARAÚJO
- Órgão julgador
- QUARTA TURMA
- Data da decisão
- 2026-04-13
- Data de publicação
- DJEN DATA:22/04/2026
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 13/04/2026
Ementa
DIREITO DO CONSUMIDOR E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO
ESPECIAL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER CUMULADA COM INDENIZAÇÃO POR
DANOS MORAIS E MATERIAIS. COMPRA DE ANIMAL DE ESTIMAÇÃO. INVERSÃO DO
ÔNUS DA PROVA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. NEXO CAUSAL. SÚMULA
7/STJ. AGRAVO CONHECIDO PARA CONHECER DO RECURSO ESPECIAL E
NEGAR-LHE PROVIMENTO.
1. A inversão do ônus da prova prevista no art. 6º, VIII, do Código
de Defesa do Consumidor e a redistribuição dinâmica do ônus
probatório prevista no art. 373, § 1º, do Código de Processo Civil
não constituem medidas automáticas, dependendo da verificação, pelo
julgador, da hipossuficiência do consumidor e da verossimilhança de
suas alegações, de modo que a conclusão do Tribunal de origem pela
ausência desses requisitos, com consequente manutenção do ônus
probatório da autora, alinha-se à jurisprudência do Superior
Tribunal de Justiça.
2. A responsabilidade objetiva do fornecedor, disciplinada nos arts.
12 e 14 do Código de Defesa do Consumidor, exige, ainda assim,
prova da ocorrência do dano e do nexo de causalidade entre este e o
alegado defeito do produto ou serviço, incumbindo ao consumidor
demonstrar tais elementos, o que, segundo as instâncias ordinárias,
não se verificou no caso concreto.
3. O acórdão recorrido lastreou-se em elementos probatórios
específicos - cartão de vacinação que indicava a aplicação das
vacinas necessárias, documentos de "garantia de venda" e "termo de
responsabilidade" assinados pela consumidora, depoimentos que
atestaram a ausência de sinais clínicos de doença no momento da
entrega do animal e informação técnica de que não era possível
precisar quando o animal contraiu a doença, bem como de que as
vacinas não oferecem proteção absoluta - para concluir que a autora
não se desincumbiu do ônus de comprovar doença preexistente,
contaminação no gatil, vício no produto ou falha na prestação do
serviço e, por conseguinte, que não ficou caracterizado ato ilícito
da fornecedora.
4. A revisão, em recurso especial, das conclusões das instâncias
ordinárias acerca da existência de vício no produto ou serviço, da
ocorrência de dano e do nexo causal encontra óbice na Súmula 7 do
Superior Tribunal de Justiça, por demandar reexame do conjunto
fático-probatório.
5. Agravo conhecido para conhecer do recurso especial e negar-lhe
provimento.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.