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REsp 202302093185 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 2082430
- Registro
- 202302093185
- Classe
- RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- JOÃO OTÁVIO DE NORONHA
- Órgão julgador
- QUARTA TURMA
- Data da decisão
- 2026-04-22
- Data de publicação
- DJEN DATA:27/04/2026
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 22/04/2026
Ementa
DIREITO DO CONSUMIDOR E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO
CIVIL PÚBLICA NO PAR (LEI N. 10.188/2001). VENDA CASADA EM SEGURO
PRESTAMISTA. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO EM PARTE E PROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. A controvérsia diz respeito a ação civil pública visando à
nulidade de cláusulas da convenção condominial, ao reconhecimento de
venda casada no seguro prestamista e à condenação a danos materiais
e morais coletivos.
2. O Juízo de primeiro grau extinguiu o processo sem resolução do
mérito quanto à GARCIA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA. e julgou
improcedentes os pedidos em relação à CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, sem
fixação de honorários.
3. A Corte de origem manteve integralmente a sentença. Os embargos
de declaração foram rejeitados.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
4. Há três questões em discussão: (i) saber se as cláusulas da
convenção condominial restringiram direitos inerentes à natureza do
contrato, comprometendo seu objeto e equilíbrio (CDC, art. 51, § 1º,
II); (ii) saber se a contratação obrigatória do seguro de vida
prestamista com a instituição financeira configurou venda casada
(CDC, art. 39, I); e (iii) saber se a gestão condominial exercida
pela CEF extrapolou a operacionalização prevista no Programa de
Arrendamento Residencial (Lei n. 10.188/2001, art. 4º, parágrafo
único).
III. RAZÕES DE DECIDIR
5. Não se conhece das alegações relativas à nulidade de cláusulas
convencionais e à atuação da CEF na gestão condominial, por
demandarem interpretação contratual e reexame de fatos e provas, o
que atrai os óbices das Súmulas n. 5 e 7 do STJ.
6. Nos contratos bancários em geral, é abusiva a imposição de
contratação de seguro com a instituição financeira ou seguradora por
ela indicada, caracterizando venda casada (CDC, art. 39, I),
conforme tese firmada no Tema n. 972 do STJ e em consonância com a
Súmula n. 473 do STJ.
IV. DISPOSITIVO E TESE
7. Recurso especial conhecido em parte e provido.
Tese de julgamento: 1. As Súmulas n. 5 e 7 do STJ obstam o
conhecimento do recurso quanto à nulidade de cláusulas da convenção
condominial e à atuação da CEF na gestão condominial. 2. É abusiva a
cláusula que impõe contratação obrigatória de seguro prestamista
com a instituição financeira ou seguradora por ela indicada, por
configurar venda casada, devendo ser afastada (CDC, art. 39, I; Tema
n. 972 do STJ; Súmula n. 473 do STJ).
Dispositivos relevantes citados: CDC, arts. 39, I, e 51, § 1º, II;
Lei n. 10.188/2001, art. 4º, parágrafo único; CPC, arts. 926 e 927.
Jurisprudência relevante citada: STJ, AgInt no AREsp n.
1.829.591/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira
Turma, julgado em 28/3/2022; STJ, EREsp n. 1.191.598/DF, relator
Ministro Marco Aurélio Bellizze, Segunda Seção, julgados em
26/4/2017; STJ, AgInt no REsp n. 2.036.413/CE, relator Ministro
Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 3/4/2023; STJ, AgInt no AREsp
n. 2.475.940/RJ, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta
Turma, julgado em 31/3/2025; STJ, Súmula n. 7.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.