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AREsp 202501246593 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 2905258
- Registro
- 202501246593
- Classe
- AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- JOÃO OTÁVIO DE NORONHA
- Órgão julgador
- QUARTA TURMA
- Data da decisão
- 2026-04-22
- Data de publicação
- DJEN DATA:27/04/2026
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 22/04/2026
Ementa
DIREITO PRIVADO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PREVIDÊNCIA
COMPLEMENTAR. COMPENSAÇÃO ENTRE RECOMPOSIÇÃO DA RESERVA E DIFERENÇAS
DO BENEFÍCIO E DISTRIBUIÇÃO DA SUCUMBÊNCIA. AGRAVO EM RECURSO
ESPECIAL DESPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo em recurso especial interposto contra decisão que
inadmitiu o recurso especial por impropriedade da via para exame de
ofensa constitucional, incidência da Súmula n. 7 do STJ e
necessidade de revolvimento do conjunto fático-probatório.
2. A controvérsia envolve demanda de previdência privada para
recálculo da complementação de aposentadoria com inclusão de
reflexos de horas extras reconhecidas na Justiça do Trabalho, com
correção monetária pelo IPCA-E e juros de 1% ao mês desde a citação.
3. Na sentença, o Juízo de primeiro grau extinguiu o feito quanto ao
Banco do Brasil por ilegitimidade passiva e julgou parcialmente
procedentes os pedidos em face da entidade de previdência,
determinando recomposição prévia e integral da reserva matemática,
fixando sucumbência recíproca e honorários de 10% para ambas as
partes.
4. A Corte de origem manteve a ilegitimidade do patrocinador,
reconheceu a inclusão dos reflexos trabalhistas no benefício,
assentou a compensação entre a cota do participante para
recomposição das reservas e os valores da revisão, manteve a
sucumbência recíproca e redimensionou os honorários, majorando-os
para 12% em favor do patrono da parte autora.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
5. Há cinco questões em discussão: (i) saber se é cabível, em
recurso especial, a alegação de violação ao art. 202, § 2º, da
Constituição Federal para afastar a compensação entre recomposição
da reserva matemática e diferenças do benefício; (ii) verificar se
houve violação dos arts. 85, caput, §§ 2º e 14, do CPC, pela
incorreta aplicação do princípio da causalidade e vedação de
compensação na fixação de honorários; (iii) examinar se o art. 86 do
CPC foi violado quanto à distribuição da sucumbência conforme o
decaimento; (iv) aferir se o art. 90 do CPC foi violado ao não
atribuir os ônus sucumbenciais a quem deu causa ao processo.
III. RAZÕES DE DECIDIR
6. Não cabe ao STJ examinar ofensa a dispositivo constitucional,
razão pela qual a alegação de violação ao art. 202, § 2º, da
Constituição Federal não pode ser conhecida.
7. Incide a Súmula n. 7 do STJ, pois a pretensão de redistribuição
dos ônus sucumbenciais e de afastamento da compensação demanda
reexame do conjunto fático-probatório.
8. Aplica-se a Súmula n. 83 do STJ, porque o acórdão recorrido está
em harmonia com a jurisprudência desta Corte quanto à sucumbência
recíproca e aos honorários em ações de previdência complementar
condicionadas à recomposição da reserva matemática.
9. Incidem as Súmulas n. 282 do STF e n. 211 do STJ por ausência de
prequestionamento dos arts. 85, § 14, e 90 do CPC; e a Súmula n. 284
do STF por deficiência de fundamentação.
IV. DISPOSITIVO E TESE
10. Agravo em recurso especial desprovido.
Tese de julgamento: "1. Incide a Súmula n. 7 do STJ para obstar a
pretensão de revolvimento fático e redistribuição dos ônus
sucumbenciais. 2. Aplica-se a Súmula n. 83 do STJ quando o acórdão
recorrido está em conformidade com a jurisprudência sobre
sucumbência recíproca e honorários em previdência complementar
condicionada à recomposição da reserva matemática. 3. Incidem as
Súmulas n. 282 do STF e n. 211 do STJ por ausência de
prequestionamento dos arts. 85, § 14, e 90 do CPC; e a Súmula n. 284
do STF por deficiência de fundamentação. 4. Não cabe ao STJ, em
recurso especial, examinar ofensa a dispositivo constitucional.".
Dispositivos relevantes citados: Constituição Federal, arts. 105,
III, a e 202, § 2º; CPC, arts. 85, caput, § 2º, § 11 e § 14, 86 e
90.
Jurisprudência relevante citada: STJ, Súmulas n. 7 e 83; STF,
Súmulas n. 282 e 284; STJ, AgInt no REsp n. 2.129.315/SC, relator
Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, julgado em 19/8/2024;
STJ, AgInt no REsp n. 1.923.048/DF, relatora Ministra Maria Isabel
Gallotti, Quarta Turma, julgado em 8/8/2022.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.