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REsp 202503916346 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 2238274
- Registro
- 202503916346
- Classe
- RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- JOÃO OTÁVIO DE NORONHA
- Órgão julgador
- QUARTA TURMA
- Data da decisão
- 2026-04-22
- Data de publicação
- DJEN DATA:27/04/2026
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 22/04/2026
Ementa
DIREITO PRIVADO. RECURSO ESPECIAL. INCIDENTE DE DESCONSIDERAÇÃO DA
PERSONALIDADE JURÍDICA EM CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. DISSOLUÇÃO
IRREGULAR E AUSÊNCIA DE BENS COMO FUNDAMENTO PARA DESCONSIDERAÇÃO.
RECURSO ESPECIAL CONHECIDO EM PARTE E DESPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Recurso especial interposto contra acórdão do Tribunal de Justiça
do Estado de São Paulo que, em agravo de instrumento, reformou
decisão que havia incluído os sócios no polo passivo da execução em
incidente de desconsideração da personalidade jurídica, dando
provimento ao agravo.
2. A controvérsia diz respeito a agravo de instrumento interposto
contra decisão que, em incidente de desconsideração da personalidade
jurídica, incluiu os sócios da executada no polo passivo da
execução, em cumprimento de sentença derivado de ação monitória.
3. A Corte de origem concluiu ser insuficiente a mera ausência de
bens e a dissolução irregular para autorizar a desconsideração,
reconhecendo a falta de prova de abuso, desvio de finalidade ou
confusão patrimonial.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
4. Há três questões em discussão: (i) saber se houve violação ao
art. 489, § 1º, IV, do CPC por omissão quanto ao argumento de que a
dissolução irregular no curso da execução configura fraude a
credores e desvio de finalidade; (ii) saber se, à luz do art. 50 do
Código Civil, a dissolução irregular e a ausência de bens autorizam
a desconsideração da personalidade jurídica; e (iii) saber se há
dissídio jurisprudencial válido com acórdão do TJRS, por similitude
fática e cotejo analítico.
III. RAZÕES DE DECIDIR
5. Não se verifica a alegada violação ao art. 489, § 1º, IV, do CPC,
pois o acórdão estadual enfrentou a tese da dissolução irregular e
concluiu, de forma clara e objetiva, que tais elementos,
isoladamente, não comprovam desvio de finalidade ou confusão
patrimonial.
6. Incide a Súmula n. 7 do STJ para obstar o reexame do conjunto
fático-probatório quanto à demonstração de abuso, desvio de
finalidade ou confusão patrimonial;
7. Aplica-se a Súmula n. 83 do STJ, pois o acórdão recorrido está em
consonância com a jurisprudência desta Corte ao afirmar que o
encerramento irregular aliado à ausência de bens é insuficiente para
a desconsideração.
7. Não ocorreu dissídio jurisprudencial, por ausência de similitude
fática e de cotejo analítico, nos termos do art. 1.029, § 1º, do CPC
e do art. 255, § 1º, do RISTJ.
IV. DISPOSITIVO E TESE
8. Recurso especial conhecido em parte e desprovido.
Tese de julgamento: "1. Não se verifica a alegada violação ao art.
489, § 1º, IV, do CPC quando o tribunal de origem aprecia e decide,
de modo claro e objetivo, as questões essenciais. 2. Incide a Súmula
n. 7 do STJ para vedar a revisão do acervo probatório quanto à
configuração de desvio de finalidade ou confusão patrimonial, e
aplica-se a Súmula n. 83 do STJ por estar o acórdão recorrido em
harmonia com a jurisprudência que afasta a desconsideração com base
apenas em ausência de bens e dissolução irregular. 3. Não há
dissídio jurisprudencial quando ausentes a similitude fática e o
cotejo analítico exigidos pelo art. 1.029, § 1º, do CPC e pelo art.
255, § 1º, do RISTJ."
Dispositivos relevantes citados: CF, art. 105, III, a e c; CPC,
arts. 85, § 11, 489, § 1º, IV, e 1.029, § 1º; CC, art. 50, §§ 1º e
2º; RISTJ, art. 255, § 1º.
Jurisprudência relevante citada: STJ, Súmulas n. 7 e 83; STJ, AgInt
no REsp n. 1.781.470/RJ, relator Ministro João Otávio de Noronha,
Quarta Turma, julgado em 1/7/2024; STJ, AgInt no AREsp n.
2.135.804/SP, relator Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma,
julgado em 12/8/2024; STJ, AgInt no AgInt no AREsp n. 2.353.666/MS,
relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em
22/4/2024; STJ, AgInt no AREsp n. 2.709.008/MG, relator Ministro
Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 28/4/2025; STJ, REsp n.
415.706/PR, relator Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira, Quarta
Turma, julgados em 12/8/2002.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.