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AREsp 202500453593 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 2854474
- Registro
- 202500453593
- Classe
- AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- JOÃO OTÁVIO DE NORONHA
- Órgão julgador
- QUARTA TURMA
- Data da decisão
- 2026-04-22
- Data de publicação
- DJEN DATA:27/04/2026
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 22/04/2026
Ementa
DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.
INTEMPESTIVIDADE E DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO DEMONSTRADO.
APLICAÇÃO DE SÚMULAS. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO.
I. CASO
EM EXAME
1. Agravo em recurso especial interposto contra decisão que
inadmitiu o recurso especial por intempestividade, por ausência de
comprovação de feriado local nos termos do art. 1.003, § 6º, do
CPC.
2. A controvérsia diz respeito à ação monitória ajuizada contra
pessoa já falecida, com pedido de redirecionamento ao espólio ou aos
herdeiros para prosseguimento do feito. Na sentença, o Juízo de
primeiro grau extinguiu o processo, sem resolução do mérito, com
base no art. 485, IV, do CPC. A Corte de origem manteve a
sentença.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
3. Há duas questões em discussão:
(i) saber se a informação prestada pelo sistema eletrônico do
Tribunal de origem acerca do termo final do prazo recursal é apta a
justificar o reconhecimento da tempestividade do recurso especial; e
(ii) saber se o recurso especial atende aos requisitos formais para
comprovação da divergência jurisprudencial quanto às teses de
possibilidade de habilitação dos herdeiros nos autos principais
quando a ação é proposta contra pessoa já falecida e se é cabível
emenda à inicial para direcionar a pretensão ao espólio representado
por administrador provisório.
III. RAZÕES DE DECIDIR
4. Conforme
entendimento do STJ, o reconhecimento da tempestividade do recurso
especial é cabível quando demonstrado que a parte foi induzida a
erro por informação equivocada disponibilizada pelo sistema
eletrônico do Tribunal de origem quanto ao termo final do prazo
recursal, em homenagem aos princípios da boa-fé e da confiança
legítima.
5. O entendimento do STJ é que, para a interposição de
recurso especial fundado na alínea c do permissivo constitucional, é
necessário o cotejo analítico, demonstrando a similitude fática
entre os julgados, o que não foi atendido no caso.
IV. DISPOSITIVO E
TESE
6. Agravo em recurso especial desprovido.
Tese de julgamento:
"1. A informação equivocada prestada pelo sistema eletrônico do
Tribunal quanto ao termo final do prazo recursal, devidamente
comprovada, pode ser considerada justa causa para o reconhecimento
da tempestividade do recurso, em observância aos princípios da
boa-fé objetiva e da confiança legítima. 2. Para a interposição de
recurso especial fundado na alínea c do permissivo constitucional, é
necessário o cotejo analítico, demonstrando a similitude fática
entre os julgados".
Dispositivos relevantes citados: CF, art. 105,
III, c; CPC, arts. 85, § 11, 485, IV, 1.003, § 6º e 1.029, § 1º;
RISTJ, art. 255, § 1º.
Jurisprudência relevante citada: EAREsp n.
1.759.860/PI, relatora Ministra Laurita Vaz, Corte Especial,
julgados em 16/3/2022; STJ, AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.878.938/PR,
relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, julgado em
9/2/2026; STJ, AgInt no AREsp n . 2.61 0.985/SP, relator Ministro
Humberto Martins, Terceira Turma, julgado em 2/9/2024.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.