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AREsp 202400381033 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 2563957
- Registro
- 202400381033
- Classe
- AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- JOÃO OTÁVIO DE NORONHA
- Órgão julgador
- QUARTA TURMA
- Data da decisão
- 2026-04-22
- Data de publicação
- DJEN DATA:27/04/2026
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 22/04/2026
Ementa
PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO POR QUANTIA
CERTA. CONSULTA AO CCS E OFÍCIO À CENSEC. OMISSÃO/FUNDAMENTAÇÃO.
FALTA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA E A LINHAMENTO COM JURISPRUDÊNCIA.
AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL CONHECIDO PARA CONHECER EM PARTE DO
RECURSO ESPECIAL E NEGAR-LHE PROVIMENTO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo
em recurso especial interposto contra decisão que inadmitiu recurso
especial por ausência de violação aos arts. 489, § 1º, IV, e 1.022,
II, do CPC, incidência da Súmula n. 283 do STF quanto aos arts. 4,
6, 438, I, 789 e 797 do CPC, e aplicação das Súmulas n. 7 e 83 do
STJ.
2. A controvérsia trata de agravo de instrumento contra
indeferimento de consulta ao CCS e de expedição de ofício ao CENSEC
em execução por quantia certa.
3. A Corte de origem deu parcial
provimento para autorizar consulta ao CCS com base no princípio da
cooperação e negou o ofício ao CENSEC por ser de acesso público e
não demonstrada negativa ou frustração administrativa; embargos de
declaração foram rejeitados.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
4. Há três
questões em discussão: (i) saber se houve violação aos arts. 489, §
1º, IV, e 1.022, II, do CPC, por alegada omissão e falta de
fundamentação quanto ao acesso restrito ao CENSEC e à necessidade de
intervenção judicial; (ii) saber se a expedição de ofício ao CENSEC
é medida necessária à luz dos arts. 4, 6, 438, I, 789 e 797, do CPC;
e (iii) saber se há divergência jurisprudencial com julgado do
Tribunal de Justiça de São Paulo sobre a necessidade de intervenção
judicial para pesquisa via CENSEC.
III. RAZÕES DE DECIDIR
5. Não
ocorreu a ofensa aos arts. 489, § 1º, IV, e 1.022, II, do CPC, pois
o acórdão estadual decidiu motivadamente a controvérsia e rejeitar a
tese da parte não caracteriza omissão.
6. Aplica-se a Súmula n. 283
do STF porque não houve impugnação específica do fundamento autônomo
de que o CENSEC é de acesso público e faltou comprovação de negativa
ou frustração administrativa; e incide a Súmula n. 83 do STJ, por
alinhamento do acórdão recorrido com a jurisprudência desta Corte
sobre a consulta ao CCS e a desnecessidade de intervenção judicial
para o CENSEC. A revisão do suposto esgotamento de meios é vedada
pela Súmula n. 7 do STJ.
7. O dissídio jurisprudencial não se
comprova pela ausência de cotejo analítico e do atendimento aos
arts. 1.029, § 1º, do CPC, e 255, § 1º, do RISTJ; ademais, a
incidência da Súmula n. 83 do STJ obsta o conhecimento pela alínea c
sobre o mesmo tema.
IV. DISPOSITIVO E TESE
8. Agravo em recurso
especial conhecido para conhecer em parte do recurso especial e
negar-lhe provimento.
Tese de julgamento:
"1. Não ocorreu a ofensa
aos arts. 489, § 1º, IV, e 1.022, II, do CPC quando o acórdão decide
a controvérsia de forma clara, objetiva e fundamentada. 2. Aplica-se
a Súmula n. 283 do STF ante a falta de impugnação específica do
fundamento de acesso público ao CENSEC e de comprovação de negativa
administrativa. 3. Incide a Súmula n. 83 do STJ quando o acórdão
recorrido está em consonância com a jurisprudência sobre a
possibilidade de consulta ao CCS e a desnecessidade de intervenção
judicial para o CENSEC. 4. Incide a Súmula n. 7 do STJ para vedar o
reexame de provas quanto ao alegado esgotamento de diligências. 5. O
conhecimento pela alínea c exige cotejo analítico e cumprimento dos
arts. 1.029, § 1º, do CPC, e 255, § 1º, do RISTJ, não atendidos no
caso."
Dispositivos relevantes citados: CPC, arts. 4, 6, 438, I,
489, § 1º, IV, 772, III, 773, 789, 797, 835, I e III, 854, caput,
1.022, II, 1.029, § 1º, e 85, § 11; RISTJ, art. 255, §
1º.
Jurisprudência relevante citada: STJ, Súmulas n. 7 e 83; STF,
Súmulas n. 283 e 284; STJ, AgInt no REsp n. 1.781.470/RJ, relator
Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, julgado em 1/7/2024;
STJ, AgInt no AREsp n. 2.135.804/SP, relator Ministro João Otávio de
Noronha, Quarta Turma, julgado em 12/8/2024; STJ, AREsp n.
2.809.843/DF, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma,
julgado em 28/4/2025; STJ, AgInt no AREsp n. 2197374/PR, relator
Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, julgado em 10/6/2025.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.