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AREsp 202403696215 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 2760394
- Registro
- 202403696215
- Classe
- AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- JOÃO OTÁVIO DE NORONHA
- Órgão julgador
- QUARTA TURMA
- Data da decisão
- 2026-05-04
- Data de publicação
- DJEN DATA:07/05/2026
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 04/05/2026
Ementa
DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE
RESCISÃO CONTRATUAL COM FINANCIAMENTO GARANTIDO POR ALIENAÇÃO
FIDUCIÁRIA. PREQUESTIONAMENTO DO ART. 23 DA LEI N. 9.514/1997.
LITISCONSÓRCIO PASSIVO NECESSÁRIO ENTRE CONSTRUTORA E CEF. DISSÍDIO
JURISPRUDENCIAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo em recurso especial interposto contra decisão que
inadmitiu o recurso especial, por incidência das Súmulas 7 e 211 do
STJ.
2. A controvérsia versa sobre ação de rescisão contratual visando à
rescisão do contrato de financiamento com a Caixa Econômica Federal
e da promessa de compra e venda celebrada com construtoras do grupo
MRV.
3. Na sentença, o Juízo de primeiro grau julgou improcedente o
pedido e fixou honorários, com suspensão da exigibilidade nos termos
do art. 98, § 3º, do CPC, com fundamento no art. 85 do CPC.
4. A Corte de origem reformou parcialmente a sentença: anulou-a
quanto às construtoras, declinou a competência para a Justiça
Estadual com desmembramento do processo e manteve a improcedência em
relação à Caixa Econômica Federal.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
5. Há três questões em discussão: (i) saber se houve violação ao
art. 23 da Lei n. 9.514/1997, por suposta necessidade de
litisconsórcio passivo necessário entre a credora fiduciária e as
construtoras em razão de coligação contratual; (ii) saber se houve
violação aos arts. 113 e 114 do CPC quanto ao reconhecimento de
litisconsórcio passivo necessário entre as construtoras e a CEF; e
(iii) saber se há dissídio jurisprudencial sobre a existência de
litisconsórcio passivo necessário nas demandas de rescisão de
promessa de compra e venda com financiamento garantido por alienação
fiduciária.
III. RAZÕES DE DECIDIR
6. A alegada violação ao art. 23 da Lei n. 9.514/1997 não pode ser
conhecida por ausência de prequestionamento específico, incidindo a
Súmula n. 211 do STJ e, por analogia, a Súmula n. 282 do STF.
7. Quanto aos arts. 113 e 114 do CPC, o acórdão recorrido está em
consonância com a jurisprudência do STJ sobre a ilegitimidade
passiva da CEF quando atua como mero agente financeiro; a revisão
das premissas fáticas e contratuais encontra óbice nas Súmulas n. 5,
7 e 83 do STJ.
8. O dissídio jurisprudencial fica prejudicado ante a incidência das
Súmulas n. 5, 7 e 83 STJ quanto à interposição pela alínea "a" do
art. 105, III, da CF, além de não terem sido observados os
requisitos do art. 1.029, § 1º, do CPC e do art. 255, § 1º, do
RISTJ.
IV. DISPOSITIVO E TESE
9. Agravo em recurso especial desprovido.
Tese de julgamento:
1. Aplica-se a Súmula n. 211 do STJ e, por analogia, a Súmula n. 282
do STF, quando ausente prequestionamento específico do art. 23 da
Lei n. 9.514/1997.
2. Incidem as Súmulas n. 5, 7 e 83 do STJ, sendo inviável, em
recurso especial, interpretar cláusulas contratuais e reexaminar o
conjunto fático-probatório para reconhecer litisconsórcio passivo
necessário, quando o acórdão recorrido está em harmonia com a
jurisprudência do STJ.
3. A incidência da Súmula n. 7 do STJ obsta o conhecimento do
dissídio pela alínea c do art. 105, III, da CF, sobretudo quando não
atendidos os requisitos do art. 1.029, § 1º, do CPC e do art. 255,
§ 1º, do RISTJ.
Dispositivos relevantes citados: CF, art. 105, III; CPC, arts. 98 §
3, 85 § 11, 1.029 § 1, 113 e 114; Lei n. 9.514/1997, art. 23; RISTJ,
art. 255 § 1.
Jurisprudência relevante citada: STJ, AREsp n. 2988004, relator
Ministro Antonio Carlos Ferreira, Terceira Turma, julgado em
3/12/2025; STJ, AgInt no AREsp n. 2000984/RJ, relator Ministro Raul
Araújo, Quarta Turma, julgado em 15/8/2022; STJ, AgRg no AREsp n.
16.879/SP, relator Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado
em 27/4/2012; STJ, AgInt no AREsp n. 1.898.375/RS, relator Ministro
Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 30/6/2022;
STJ, AgInt no AREsp n. 1.611.756/GO, relator Ministro Raul Araújo,
Quarta Turma, julgado em 1/9/2022; STJ, Súmulas n. 5, 7 e 83; STF,
Súmula n. 282.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.