← Jurioteca
AREsp 202504751853 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 3133960
- Registro
- 202504751853
- Classe
- AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- JOÃO OTÁVIO DE NORONHA
- Órgão julgador
- QUARTA TURMA
- Data da decisão
- 2026-05-04
- Data de publicação
- DJEN DATA:07/05/2026
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 04/05/2026
Ementa
DIREITO DO CONSUMIDOR. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DECLARATÓRIA
DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO C/C DANOS MORAIS EM CARTÃO DE CRÉDITO.
ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL À LUZ DOS ÓBICES DA SÚMULA 7 DO
STJ, FALTA DE PREQUESTIONAMENTO E INEXISTÊNCIA DE DISSÍDIO COM
COTEJO ANALÍTICO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo em recurso especial interposto contra a decisão que
inadmitiu o recurso especial por incidência da Súmula n. 7 do STJ,
ausência de prequestionamento com aplicação, por analogia, das
Súmulas n. 282 e 356 do STF, e prejudicialidade dos pedidos
acessórios.
2. A controvérsia envolve ação declaratória de inexistência de
débito c/c indenização por danos morais relacionada a cartão de
crédito, com alegação de cobrança indevida após suposta quitação.
3. O Juízo de primeiro grau julgou improcedentes os pedidos e fixou
honorários em 10% sobre o valor atualizado da causa.
4. A Corte de origem, por unanimidade, manteve integralmente a
sentença e majorou os honorários nos termos do art. 85, § 11, do
CPC. Não foram opostos embargos de declaração.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
5. Há cinco questões em discussão: (i) saber se houve indevido
afastamento da inversão do ônus da prova prevista no art. 6º, VIII,
do CDC; (ii) saber se a continuidade de cobranças após pagamento
impõe repetição do indébito em dobro à luz dos arts. 42, parágrafo
único, e 52 do CDC; (iii) saber se a conduta configura ato ilícito e
dano moral, nos termos dos arts. 186 e 927 do CC; (iv) saber se
houve violação dos arts. 6º, III e V, e 51 do CDC por ofensa ao
dever de informação e à boa-fé; e (v) saber se há dissídio
jurisprudencial apto a ensejar o conhecimento do recurso pela alínea
c.
III. RAZÕES DE DECIDIR
6. A inversão do ônus da prova não é automática e depende da
verossimilhança das alegações, inexistente no caso, o que atrai a
incidência da Súmula n. 83 do STJ.
7. O dano moral não decorre automaticamente de alegada falha na
prestação de serviço bancário sem prova de lesão extrapatrimonial,
alinhando-se a conclusão ao entendimento do Superior Tribunal de
Justiça, incidindo na espécie a Súmula n. 83 do STJ.
8. As teses fundadas nos arts. 6º, III e V, 42, parágrafo único, 51
e 52 do CDC não foram prequestionadas, aplicando-se ao caso, por
analogia, as Súmulas n. 282 e 356 do STF e, diante da ausência de
embargos declaratórios e de alegação de violação do art. 1.022 do
CPC, a Súmula n. 211 do STJ.
9. A admissão do recurso pela alínea c exige cotejo analítico e
comprovação de similitude fática, o que não foi observado nos termos
dos arts. 1.029, § 1º, do CPC e 255, § 1º, do RISTJ.
IV. DISPOSITIVO E TESE
10. Agravo em recurso especial desprovido.
Tese de julgamento: "1. Incide a Súmula n. 83 do STJ quanto à
inversão do ônus da prova do art. 6º, VIII, do CDC e à não
configuração automática de dano moral por falha na prestação de
serviço bancário sem prova de lesão extrapatrimonial. 2. A Súmula n.
7 do STJ impede o reexame do conjunto fático-probatório a fim de
reconhecer inexistência de débito ou dano moral. 3. Aplicam-se, por
analogia, as Súmulas n. 282 e 356 do STF, bem como o óbice da Súmula
n. 211 do STJ, quando não há o prequestionamento das teses
relativas aos arts. 6º, III e V, 42, parágrafo único, 51 e 52 do
CDC. 4. O conhecimento do recurso pela alínea c exige cotejo
analítico e similitude fática, nos termos dos arts. 1.029, § 1º, do
CPC e 255, § 1º, do RISTJ".
Dispositivos relevantes citados: CDC, arts. 6º, III, V e VIII, 42,
parágrafo único, 51 e 52; CC, arts. 186, 927 e 188, I; CPC, arts.
85, § 11, 373, I, 1.022, 1.025 e 1.029, § 1º; CF, art. 105, III, a e
c; RISTJ, art. 255, § 1º.
Jurisprudência relevante citada: STJ, Súmulas n. 7 e 83; STF,
Súmulas n. 282 e 356; STJ, AgInt no AgInt no AREsp n. 1.931.196/MS,
relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em
29/6/2022; STJ, AgInt no AREsp n. 1.328.873/RJ, relator Ministro
Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 18/12/2019; STJ, AgInt nos
EDcl no REsp n. 1.991.361/SP, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta
Turma, julgado em 29/9/2022; STJ, REsp n. 2.123.485/SP, relator
Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em
5/5/2025; STJ, REsp n. 2.161.428/SP, relatora Ministra Nancy
Andrighi, relator para o acórdão Ministro Moura Ribeiro, Terceira
Turma, julgado em 11/3/2025; STJ, AgInt no AREsp n. 2.390.876/SP,
relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 31/3/2025;
STJ, AREsp n. 2.665.714/PR, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira
Turma, julgado em 24/3/2025; STJ, AgInt nos EDcl no REsp n.
2.121.413/SP, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em
16/9/2024; STJ, AgInt no AREsp n. 2.110.172/SP, relator Ministro
João Otávio de Noronha, Quarta Turma, julgado em 12/12/2022; STJ,
AgInt no AREsp n. 2.782.118/RJ, relator Ministro João Otávio de
Noronha, Quarta Turma, julgado em 13/5/2025; STJ, AgInt no REsp n.
1.769.090/MG, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma,
julgado em 23/5/2022; STJ, AgInt no AREsp n. 2.715.113/SP, relator
Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, julgado em 24/3/2025;
STJ, AgInt no AREsp n. 1.989.881/MG, relatora Ministra Maria Isabel
Gallotti, Quarta Turma, julgado em 26/9/2022; STJ, AgInt no AREsp
n. 1.767.078/DF, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado
em 26/9/2022; STJ, AgInt no AREsp n. 2.010.772/RS, relator Ministro
Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 12/9/2022.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.